Bate-papo com o músico Marcelo Bratke que nasceu cego de um olho, fez uma cirurgia já adulto e voltou a enxergar

Publicado em 09 de fevereiro de 2010

O músico Marcelo Bratke tem uma história de vida super interessante. Ele nasceu cego de um olho e com somente 10% de resíduo visula no esquerdo. Depois de adulto, fez uma cirurgia e voltou a enxergar. Ele fala sobre sua experiência em entrevista à Mara Gabrilli, no programa Derrubando Barreiras, da Rádio Eldorado.

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Mara Gabrilli: Esse som maravilhoso nasceu das mãos do meu entrevistado de hoje: Marcelo Brakte. É paulistano, onde iniciou seus estudos de piano na adolescência, conheceu a música de brincadeira, aos 14 anos, tirou “Prelúdios” de Chopin de ouvido, depois de seu pai tocá-lo ao piano. Daí por diante Marcelo não parou mais, teve professores particulares de piano, até chegar na Julliard School of Music em Nova York. E, em 1992, mudou-se para Londres. Desde então tem se apresentado nas mais prestigiosas salas de concerto do mundo, incluindo o Festival de Salzburg, o Wigmore Hall e Queen Elizabeth Hall em Londres e o Konzerthaus em Berlim, entre outros. Não falei ainda, mas Marcelo era tecnicamente cego até os 44 anos. Há 4 anos fez uma cirurgia que lhe devolveu 90% da visão em olho e 10% de visão no outro.

Marcelo Brakte seja muito bem vindo ao Derrubando Barreiras.

Marcelo Brakte: Mara estou tão contente de falar com você. Obrigado pelo convite.

MG: Nossa. Obrigada a você. Estou até emocionada. Porque eu ouço tanto falar de você. E hoje tive o privilégio de poder entrevistá-lo.

MB: O privilégio é todo meu.

MG: Me conta um pouco Marcelo. O que você teve na vista quando você nasceu ou um pouco depois. O que foi?

MB: Eu nasci com uma catarata congênita. E desenvolvi uma ambliopia. A catarata congênita impede que a imagem chegue até a retina. Ela é um pouco diferente da catarata senil. Essa que a gente adquire numa fase mais idosa da vida. E quando a imagem não chega na retina, os olhos ficam independentes e você fica praticamente estrábico. Era pra eu ter feito 2 operações de estrabismo e eu acabei fazendo uma só. E um dos olhos ficou com a ambliopia muito acentuada. Eu fiquei com 3% de visão. O outro que conseguiu-se fazer um caminho do nervo ótico, entre a retina e o cérebro, conseguiu chegar a mais ou menos 10% de visão. Na verdade eu nasci com catarata e naquela época não se operava catarata. Não existia essa cirurgia em que se colocava uma lente intra ocular. E a conclusão foi que eu praticamente perdi uma vista por causa disso.

MG: E você se virava com esses 10%?

MB: Isso. Eu conseguia me virar com os 10% do meu olho esquerdo.

MG: E isso é considerado baixa visão? Você conseguia ler, por exemplo?

MB: Não. Eu consegui ler com muito esforço. Muito de pertinho, mais ou menos, 2 a 3 centímetros do livro. Fui alfabetizado de maneira bastante difícil. Eu fui para uma escola muito pequenininha que só tinha 2 alunos. Assim eu podia ficar bem em frente a lousa, sem ter vergonha. E tudo mais. E foi assim. A fase da infância foi uma fase bastante difícil. E era muito estranho, porque quando você não enxerga bem, as outras pessoas não veem esse problema. De uma maneira muito direta. Principalmente quem nasceu assim, a gente acaba se virando com aquilo que tem. Eu não sabia o que era enxergar bem. Nunca soube. Eu só soube disso aos 44 anos de idade.

MG: E você não chegou a pensar em se alfabetizar no braile?

MB: Quando eu era criança, o que me era explicado pelos oftalmologistas era que eu tinha uma catarata, que eu enxergava bem de um olho e pior do outro. Na verdade eles estavam falando aquilo para me dar um pouco de ânimo. Entendeu. Mas eu acreditava naquilo. Eu achava que enxergava bem de um olho e pior do outro. Não sabia que eu tinha só 10% de visão.

MG: Então era distante do seu universo porque você não tinha nada haver com uma pessoa cega?

MB: Exatamente. Então, apesar de eu não ter uma vida normal, eu ia me deparando com os obstáculos do meu jeito. E ia tentando transpó-los. Eu nunca pensei em aprender braile porque não me foi apresentada essa possibilidade. Até a fase adulta, digamos assim, eu era aquela pessoa que se virava com aqueles olhos e eu me sentia bem, eu me sentia uma pessoa forte, porque eu fazia aquele esforço. Mas eu nunca tive a oportunidade de ter armas adequadas para lutar contra os obstáculos que eu tinha, eles vinham assim de surpresa. Hoje que eu enxergo bem de um olho mesmo, eu sei o quanto eu enxergava e sei que seria muito mais fácil eu ter tido acesso a certas coisas que na época eu não tive.

MG: É uma história muito curiosa Marcelo. Porque é uma história meio as avessas essa sua né. Porque geralmente a gente ouve histórias contrárias de pessoas que foram perdendo a visão. E como foi assim, porque você foi uma pessoa que teve várias descobertas surpreendentes na vida. E eu quero saber da entrada da música no seu universo e ,depois, da entrada da visão.

MB: A entrada da música aconteceu até tardiamente, quando eu tinha uns 14 anos, o meu pai comprou um piano e ele tocou e eu fiquei fascinado por aquilo. Era um prelúdio de Chopin que ele tocava, eu adorei aquilo. E fui imediatamente ao piano e tentei imitá-lo. E aí eu comecei a tocar o prelúdio que ele estava tocando. Aí ele se assustou e chamou uma professora de piano que era a Zélia Deri. Ela fez uns exames em mim, de ouvido, coisa e tal e achou que eu tinha muito talento. Aí eu pensei, bom, então eu vou começar a ter aula com a Zélia Deri, mas eu não vou ficar tocando piano não. A única coisa que eu queria tocar era a marcha fúnebre. Eu adorava filmes de terror naquela época. (…...)Principe Price, Bela Lugosi. Então eu pensei, eu vou tocar marcha fúnebre, depois eu largo esse piano aí, porque eu não vou ficar tocando piano a vida inteira. E aí o que aconteceu, eu toquei a marcha fúnebre, realmente, eu tirava tudo de ouvido. A Zélia Deri viu que eu não podia ler partitura, então ela me ensinou a tirar músicas de ouvido. Eu tinha um ótimo ouvido, uma ótima memória. Meu primeiro concerto foi inteiro de ouvido, concerto de Bach, que eu toquei com a OSESP, com o maestro Elizar de Carvalho. Para você ter uma idéia que a parte mental procedia. Eu tocava o concerto inteiro de ouvido, fui ensaiar com o maestro Eliasar de Carvalho, com a OSESP, e ele falou: - “Marcelo, agora vamos repetir o compasso número 48” - Aí eu falei:- “Maestro, como assim compasso número 48? Eu só sei tocar o concerto do começo ao fim”. Eu fingi para ele que eu tinha lido tudo aquilo. Eu fingia pros professores que eu lia a partitura. Na verdade eu pegava os discos, ficava ouvindo e tirava de ouvido. Mais tarde na Julliard, eu tive um apoio nesse sentido, de falta de habilidade visual. Algumas técnicas que me ajudaram, pouco-a-pouco a entrar em contato com a partitura, que eu não sabia ler mesmo. Não é que eu não enxergava, é que eu não sabia ler a partitura. Aí eu fui aprendendo pouco a pouco. E eu lia muito devagarinho. Uma nota depois da outra, com um esforço gigantesco. Uma luz muito forte que queimava o meu cabelo, minha cabeça. Era uma coisa horrorosa. E decorava muito rápido. Porque era tão sofrido pra mim ler, que eu decorava muito rápido. Daí eu fui vivendo assim, até os 44 anos. E não aguentava mais isso, porque eu fingia pra todo mundo que eu enxergava bem. Virou um tabu na minha vida. As pessoas que descobriam que eu enxergava mal me apelidavam, ceguinho, vesguinho, esse tipo de coisa. Quando surgiu o piano eu comecei a fazer sucesso na escola, as meninas começaram a prestar a atenção em mim. Eu comecei a ter autoconfiança. O piano entrou muito para que eu me comunicasse com as pessoas. Hoje eu percebo que foi uma arma que eu tive, uma sorte, que fez com que eu me comunicasse de uma maneira mais direta com as pessoas. Eu era muito tímido. Por causa do problema de visão. O piano me deu muita força. A música virou uma espécie de ponte de comunicação com as pessoas em geral. Até hoje.

MG: Você sabe que eu lembrei agora do João Carlos Martins, que depois que ele teve todos aqueles problemas nas mãos e começou a ficar muito difícil ele tocar piano, ele começou a reger e uma das coisas que ele menciona é que ele não consegue virar a página da partitura. Ele tem que memorizar. E um pouco acontece comigo também, porque como eu não mexo os braços, para mim, as vezes, é muito mais fácil memorizar alguma coisa do que procurar alguém pra escrever, pra anotar. Então a hora, é a hora que me aparece a informação, então ela tem que ir pra memória. E é impressionante que a memória acompanha o ritmo do nosso corpo.

MB: Eu acho que a gente faz uma compensação. Quando a gente tem uma limitação, como a tua, como a que eu tive, e a gente vai desenvolvendo outros meios que estão a nossa disposição, mas que a gente não usa quando não tem esse problema.

Intervalo.

MG: Conta qual foi a emoção de tocar no Carnegie Hall.
MB: Sabe que coincidentemente eu operei os olhos em Boston em maio e minha estreia no Carnegie Hall foi em setembro. Foi o primeiro concerto que eu fiz enxergando bem. Por sorte, eu tive um empresário muito bom, que organizou esse concerto, o Carnegie Hall estava lotado, 2.800 pessoas. E foi uma das coisas mais emocionantes da minha vida, sem dúvida, porque é um lugar muito importante, é um ícone da música. Quando eu estudei na Julliar School eu passava em frente ao Carnegie Hall e falava, pensava - “Puxa, nunca vou estar aqui, nunca”. Depois, no ano passado, eu toquei novamente no Carnegie Hall, estamos com planos de fazer outro concerto no ano que vem. É um lugar muito querido e que me emociona muito toda vez que eu lembro dessa passagem.

MG: Marcelo e qual foi a sua expectativa quando você foi encaminhado para essa cirurgia? Você imaginava que isso poderia acontecer?
MB: Não. Como eu tinha só um olho em potencial para fazer a operação. O outro olho que tem só, que ficou com 10% de visão, ele não tem o foco central, ele só tem o foco lateral, mesmo no centro. É como se você tentasse olhar para frente e ler um livro que está ao seu lado. Você entendeu? Você não consegue. Eu tenho esse tipo de visão lateral é o que eu tenho no centro do meu olho direito. E os oculistas sabiam disso, eles falavam o seguinte, que havia riscos no caso da minha operação, porque é uma catarata congênita que é um pouco diferente da catarata adquirida. E que se acontecesse alguma coisa, um acidente na operação, alguma coisa infeliz na operação, eu perderia o meu único olho bom. Então eu protelei muito essa história da operação.

MG: Mas a cirurgia foi no 10% ou no de 3%?

MB: Nos dois. Tanto é que o de 3 (%) virou 10 (%), mas sem o foco central. E o outro, eu tenho astigmatismo também, com os óculos eu enxergo 100% no olho bom. E então eu procurei muitos oftalmologistas, eu fui na França, na Inglaterra, onde eu vivo, no Brasil, rodei o Brasil inteiro, atrás de oftalmologista, nos Estados Unidos e tal. E aí soube do doctor (sic) Peter Rapoza, no Eye and Ear Hospital, em Boston. Aí eu peguei um avião e fui pra lá. Ele foi o único médico que me garantiu, ele falou “olha Marcelo, eu tenho certeza que na tua condição hoje, aqui nesse país, você receberia uma carteirinha de cegueira. Você é tecnicamente cego. Você não sabe disso porque você aprendeu a enxergar com seus olhos. E você teria todas as regalias do governo para uma pessoa cega. Você deve estar com uma vida muito limitada. Eu posso fazer essa operação, eu garanto que não vai acontecer nada, se acontecer alguma coisa na cápsula, onde tem o cristalino, nós temos microcirurgiões que vão acompanhar a operação, o que eu estarei fazendo.”

MG: Se acontecesse alguma coisa, seria reversível?

MB: Exato. Muito dificilmente eu iria ter problema, iria ter um problema radical, entendeu. E estava tão difícil para mim. Em determinado momento começou a piorar minha visão. Com a idade, você fica com vista cansada depois dos 40 anos. Só que a minha vista era tão pobre que significou uma perda de visão violenta. Eu andava na rua e tropeçava, batia a cabeça num poste. Eu lembro de tentar ler o cartão de crédito debaixo de uma luz e a luz estava tão forte que derreteu meu cartão de crédito. Essas coisas aconteciam direto Mara, era uma coisa impressionante. Foi a coisa mais emocionante, o momento mais marcante da minha vida, foi quando eu tirei as bandagens dos olhos em Boston e vi o móvel lá da sala onde eu estava, no pós-operatório, e vi a maçaneta, vi a madeira, vi os veios da madeira, olhei pela janela e vi um prédio de tijolos. Aí sabe o que eu pensei? Eu pensei: Tijolos, são vocês então?! Porque eu conhecia os tijolos de outra maneira. São você os tijolos. E são vocês todas as coisas que eu enxergava de uma maneira muito limitada e que elas se revelaram para mim. Minha mulher, o mar, os passarinhos, as nuvens, as árvores, tudo. Uma bituca de cigarro no chão. Uma as coisas mais lindas que eu vi, por exemplo.

MG: Nossa, sua vida virou momentos de descoberta, um atrás do outro.

MB: E até hoje eu não estou acostumado. Todo dia eu acordo e penso que vou abrir o olho e vai estar ruim, vai estar ruim. Aí eu abro e está bom.

MG: Nossa, enxergar sua mulher deve ter sido incrível. Porque o meu namorado ele tem de 5 a 7 graus de miopia e aí ele foi fazer a cirurgia. E eu fiquei morrendo de medo. Será que ele vai me enxergar agora e não vai gostar.

MB: E gostou né?

MG: Ahh, gostou. Pelo menos tá comigo até hoje. Aí eu fico imaginando, você descobrir pessoas. O que foi que você descobriu que mais te surpreendeu, que te marcou?

MB: Olha o céu, por exemplo. As nuvens, o mar de Boston, com as ondinhas que fazem aquela sombra preta. Eu nunca tinha visto nada disso. A comida, que é colorida, muito colorida, as cores.

MG: Ahh, a comida. Você engordou depois que você voltou enxergar?

MB: Não, não. Nada. Não porque eu sou muito disciplinado e vaidoso.

MG: E você mesmo?

MB: Eu fiquei me olhando no espelho, mais ou menos umas 2 horas e eu gritava para a minha mulher. Marienita é isso mesmo? Você tem certeza? Eu liguei pro médico e falei: doctor Peter Rapoza eu estou com o seguinte problema, eu estou enxergando muito bem, nunca vi essas coisas e tal, mas as cores estão todas trocadas, todas erradas. Será que você pode me dar um remédio para a cores voltarem ao que eram? E ele falou: Não, essas são as cores que a sua retina nunca teve contato.

MG: Mas as cores eram mais pastéis quando você não enxergava?

MB: É elas eram completamente pastéis. Olha, o mundo era uma coisa muito sem graça.

MG: Você não sabia, né?

MB: É. Eu não sabia. Se, por exemplo, eu via você e tinha uma janela atrás, você ficava inteira preta, porque a luz me ofuscava totalmente a vista. Eu só li 2 livros na vida e ainda assim com muito esforço, muito lentamente. Um que eu gostei que era o escoteiro Bila, eu era criança, e o outro era a biografia do Bergman, sou grande fã dele, eu fui lendo aos pouquinhos, eu lia um pedacinho por dia. Foi uma coisa maravilhosa. Hoje eu não preciso fazer absolutamente nada que seja especial para estar muito bem. Basta eu dar um passeio pela rua que eu já estou assim entretido.

MG: Nossa Marcelo, que delícia. E agora, o que foi a Camerata Vale Música.

MB: A Camerata Vale Música, depois dessa operação, eu sempre usei a música como arma de comunicação com as pessoas. E eu nunca quis fazer uma carreira muito tradicional, de tocar simplesmente com orquestra, Beethoven, Mozart e tal, que é uma coisa que eu faço. Mas, por exemplo, eu conheci um pianista de jazz, pedi para ele me ensinar jazz e eu ensinei música clássica a ele. E nós gravamos um CD que vai de 4 compositores de jazz a 4 compositores de música erudita influenciada pelo jazz. Tudo a 2 pianos, ou seja, eu ensinei a ele a minha área e ele me ensinou a dele e a gente se amalgamou um no outro e entramos na linguagem do jazz e da música erudita. Quando eu comecei a enxergar e vi o Brasil, essa desigualdade terrível que tem aqui, eu pensei porque eu não faço um concerto que mostra a influência da cultura popular na música de compositores que tiveram essa proximidade com a cultura popular. Aí eu convidei 4 meninos do Jardim Miriam que aprenderam a tocar instrumentos de percussão nas ruas de São Paulo, para integrar esse concerto que se chama “Trilogia do Carnaval”, que mostra o encontro entre 3 compositores, num domingo de carnaval, em 1917, e que ficaram muito influenciados um pelo outro e pelas batucadas brasileiras, pelos ritmos brasileiros. São Villa Lobos, o Ernesto Nazaré e o francêss Darius Milhaud. A partir dessa experiência da Trilogia do Carnaval eu pensei em montar uma coisa maior, que seria uma orquestra com esse conceito. Uma orquestra que só se dedicasse a música brasileira, que fosse formada por jovens que vieram de áreas complicadas, do ponto de vista social e cultural consequentemente. E aí conheci no Espírito Santo, um programa da mineradora Vale, que lidava com música popular e erudita e lá eu formei a Camerata Vale Música, que é essa orquestra que em 2 anos fez uma turnê nacional, foi pro Japão, gravou um DVD que agora vai ser presente do governo pro mundo inteiro festejando Villa Lobos, nós estamos fazendo agora o segundo projeto que é o Ernesto Nazaré. É um projeto muito querido meu. Eu gosto muito desse projeto.

MG: Puxa. E que cobertura né. Como cresceu.

MB: É verdade.

MG: Ahh Marcelo. Infelizmente o nosso programa está chegando no final. Eu acho que foi um dos programas mais surpreendentes que eu já fiz.

MB: Que legal Mara.

MG: Eu queria que você deixasse uma palavrinha de despedida pros ouvintes da Eldorado. E, além disso, deixasse algum contato, alguma coisa, porque os ouvintes vão querer vê-lo e ouvi-lo.

MB: Sem dúvida. Deixa só eu fazer uma observação interessante, que tem muito a ver com seu trabalho. Uma das coisas que eu notei assim que eu saí do Brasil, com o meu problema de visão é que fora do Brasil, em Nova York, Londres, eles têm muitas armas, que ajudam as pessoas que tem problemas físicos, problemas de visão. Aqui no Brasil isso não acontecia. Eu vejo realmente isso como um dos maiores passos, na questão da cidadania, da nossa relação com a cidade, essa luta possível, com as armas que a sociedade pode dar para pessoas que tem problemas de vários níveis, para integrar melhor na sociedade.
MG: Claro. Você consegue ferramentar a cidade, as pessoas diminuem as suas deficiências.

MB: Exatamente. Isso ajuda muito.

MG: E Londres é um exemplo de acessibilidade. Não é?

MB: Londres é maravilhoso. Você sai do metrô, em Londres, para ir pro Moorfields Eye Hospital, o hospital dos olhos, você vai pela calçada sentindo uma coisa gordinha no pé até você chegar na sala do seu médico.

MG: O que é, um piso tátil?

MB: Exatamente. A cidade inteira tem isso. Você entra no metrô e não consegue enxergar o nome das estações, aí tem uma pessoa que te leva até o lugar certo e quando você chega na sua estação uma pessoa vem te buscar.

MG: Nosso metrô tem esse serviço aqui, agora. Já tem. De acompanhar o deficiente visual. Agora Londres também tem algo assim sensacional que são os táxis. Que você consegue entrar de cadeira de rodas em 100% dos táxis da cidade.

MB: Ônibus também. Táxis e ônibus. Isso é muito importante.

MG: Marcelo então dá um contato seu para o ouvinte poder te conhecer melhor.

MB: Sem dúvida. O meu site é www.marcelobrakte.com. E o e-mail para informações é info@marcelobrakte.com.

MG: Nossa, querido, super obrigada pela entrevista. Espero vê-lo muito em breve. Queremos vê-lo e ouví-lo aqui em São Paulo. Você nos avise, por favor. Na sua próxima passada por aqui.

MB: Sem dúvida. Na minha próxima passada por aqui você vai ser minha convidada de honra.

MG: Obrigada Marcelo pela participação e a você ouvinte da Eldorado pela companhia. E se você quiser ouvir de novo essa ou outras entrevistas acesse www.territorioeldorado.com.br no link da AM e clique no Derrubando Barreiras e entre também nos nossos blog´s www.derrubandobarreirasacessoparatodos.blogspot.com e o novo blog que estreamos no Território Eldorado. Blogue-se, ouça as entrevistas, leia as notícias e deixe o seu recado. Marcelo um beijo enorme, ficamos por aqui, até semana que vem. Tchau.

Comentários

Enviado em 16/03/10 às 03h30

Lívia Máris Farion de Aguiar (liviamaris8@hotmail.com):

Mara, amei esta entrevista.O Marcelo é excelente músico e um exemplo de vida. Sou amiga de uma família muito simples que tem um menino maravilhoso (que completará em abril, 8 aninhos e é totalmente deficiente visual). Acompanho bem de perto todas as dificuldades que ele e que a família passam.
Sempre que tomo conhecimento de exemplos como este do Marcelo, procuro encorajá-lo e nunca perdemos as esperanças de que um dia DEUS abrirá uma porta e nosso menino enxergará. A família é pobre mas DEUS não dá a bênção pela metade!!!! Há de aparecer uma forma de ajudá-lo.
Parabéns pelo seu trabalho. Bela entrevista. Lindo exemplo de superação.

Enviado em 16/03/10 às 17h41

Adriana (macieladry@hotmail.com):

Mara, entrevista riquíssima. Parabéns. Tenho um fiho com 4 anos e descobri a doença visual quando ele tinha 1a3meses e sempre busco mensagens positivas e possibilidades de visão. O meu pequeno tem apenas um olho com baixa visão , o outro graças a Deus tem visão 100%. Irei tentar entrar em contato com o Dr. Peter Rapoza ou mesmo o NossoPianista Marcelo Brakte. Um abraço , Adriana.

Enviado em 17/03/10 às 10h37

alfredo serwaczak (serwaczak@uol.com.br):

Sou admirador de Marcelo. Tenho um familiar com os mesmos problemas visuais que ele teve. Poderia me indicar o medico que fez a operação?
grato

Enviado em 17/03/10 às 11h15

Daniel Limas (daniel@espiralinterativa.com):

Alfredo, estamos tentando descobrir os contatos desse médico. Obrigado por sua participação.

Enviado em 22/03/10 às 13h02

Andréa (andrealcg@terra.com.br):

Adorei a entrevista! Eu também tenho problemas visuais semelhantes ao do Marcelo e também gostaria de saber o nome do medico.

Enviado em 28/04/10 às 12h38

michael novaes de almeida (michael_novaes@yahoo.com.br):

GOSTO MUITO DE VC MARCELO VC E ILUMINADO POR DEUS, POIS TENHO UM PROBLEMA DE CATARATA CONGENITA E NAO ENXERGO DE UM OLHO, VC PODERIA ME AJUDAR, COMO FAÇO PARA ENTRAR EM CONTATO COM O DOUTO PETER, FICAREI MUITO GRATO DEUS ABENÇOE.

Enviado em 28/04/10 às 14h02

Daniel Limas (daniel@espiralinterativa.com):

Leitores, os contatos solicitados foram enviados por e-mail. Obrigado.

Enviado em 31/08/12 às 00h27

zuleide soares (lady-camille2010@hotmail.com):

No meu aniversário de 60 anos eu fui na apresentação do maestro Macelo, aqui em Belém do Pará, minha cidade. Eu não o conhecia, mas fiquei completamente encantada com o "presente" que recebi dele. Um amigo que estava comigo falou isso p o maestro e então o presente foi realmente comovente: um abraço do querido maestro. Infelizmente roubaram meu celular e não tenho mais uma foto que tirei c ele. Agora que conheci um pouco da história de Marcelo, minha admiração por ele ficou maior ainda. Parabéns querido maestro!!! Que sua música encante mais pessoas e sua luz ilumine o mundo inteiro! DEUS esteja sempre com vc. Bjus afetuosos e agradecidos

Enviado em 27/11/12 às 23h05

João Derado (jderado@gmail.com):

Um maravilhoso exemplo pelo talento e superação. Marcelo, vc é uma pessoa iluminada,uma alma impecável, um alento aos tempos de chumbo que estamos vivendo para acreditarmos que Deus ou seja lá qual nome elegemos existe, através de sua música. Grande abraço,parabéns, João Derado.

Enviado em 03/08/14 às 20h55

Armando Jorge Guimarães (armandojguimaraes@hotmail.com):

Poxa!!! Fiquei imensamente feliz em saber que o meu "amigo" Marcelo Bratke fez a cirurgia e voltou a enxergar novamente.Conheci o Marcelo com bastante intimidade. Eu,como motorista particular da família Srs Roberto e Thaysa Paula, Claudia e Marcelo Bratke.Ele sempre atencioso comigo. Passávamos horas juntos, ele no piano e eu ouvindo. Tocava para mim repetidamente a "Patética de Beethoven".Na Época eu acumulava essa função com a de Policial Militar da ativa. Hoje como Pastor evangélico, tenho orado por ele. Adquiri nessa convivência um grande amor (ágape)por ele e pela música clássica. Gostaria, se possível for, que enviasse esse e-mail a ele, para poder conversar pessoalmente.Abraços e Deus vos abençoem poderosamente.

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