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Derrubando Barreiras fala sobre habilitação de pessoas com deficiência
Publicado em 19 de janeiro de 2012
O programa Derrubando Barreiras Acesso para Todos, apresentado por Marta Gil, entrevista Daniele Almeida, da Autoescola Javarotti, especializada em habilitar pessoas com deficiência. Confira a entrevista.
Baixe o áudio (13MB)
Marta Gil: Olá ouvintes da Rede Eldorado, começa agora mais um Derrubando Barreiras Acesso Para Todos. Eu sou a Marta Gil e vou ficar na sua companhia na próxima meia hora. A minha entrevistada de hoje é a convidada Daniele Almeida, ela é graduada em Administração de Empresas com ênfase em Comércio Exterior, ela também é pós-graduada em Prestação de Serviços e há nove anos trabalha na área comercial de uma autoescola especializada em habilitar pessoas com deficiência, além disso a Dani já realizou palestras e cursos sobre lesão medular, reabilitação, treinamento de vendas diretas para pessoas com deficiência, entre outra coisas, uma mulher que faz muitas coisas. Daniele, é um prazer recebê-la aqui no Derrubando Barreiras!
Daniele: O prazer é meu! Fico muito feliz pelo convite pra gente poder falar sobre o que é o serviço em si, a habilitação.
Marta: Imagina, a gente que agradece sua vinda aqui e vai ser uma delícia! Vamos aprender muitas coisas com você! Daniele, autoescola que atende pessoa com deficiência, como é esse trabalho?
Daniele: A Javarotti é um escola especializada em habilitar pessoas com deficiência, principalmente as pessoas com deficiência física, seja um deficiência visível ou não, habilitamos também pessoas surdas. A escola está toda equipada com funcionários que se comunicam em libras com os surdos também, então é uma escola que atende desde pessoas com 98 cm, 82 cm até limitações mais comuns, que são paraplégicos, no caso.
Marta: Que fantástico! Aqui na cidade de São Paulo?
Daniele: É, em São Paulo temos três unidades, que são Vila Mariana que é central, Santana, Tatuapé, Osasco, Santo André, Santos e estamos inaugurando uma em Santo Amaro agora!
Marta: Então vocês estão em outros municípios que não só São Paulo, que bacana!
Daniele: E todas elas bem equipadas pra poder atender as pessoas com limitações físicas!
Marta: Muito bom! Você falou sobre vários tipos de deficiências e as pessoas devem estar um pouco curiosas, e o surdo, como ele dirige?
Daniele: Ele dirige normal, na realidade, ele desenvolve os outros sentidos muito melhor que os nossos, então o tato, a percepção dele, o visual, se desenvolvem muito melhor do que nós que temos os cinco, porque o fato dele não ouvir não impede ele de dirigir, basta que o instrutor se comunique com ele por libras, e ele consegue dirigir normalmente. É impressionante como ele dirige muito bem! Todos ele são muito inteligentes!
Marta: Ou seja, não é um perigo solto pela rua?!
Daniele: Não, de maneira alguma! Muitas vezes eles dirigem melhor que pessoas que não tem limitação nenhuma!
Marta: E uma pessoa com limitação física, de braço ou de perna? Como ela dirige?
Daniele: Então nós temos dois casos, um que é a primeira habilitação, ou seja, o candidato é deficiente físico que nunca tirou habilitação, então ele vai seguir a legislação normal como qualquer outro, vai fazer o cadastro, os exames, e no exame médico encaminham o tipo de carro, o tipo de adaptação que o candidato vai dirigir, e nós, em aulas práticas, vamos treiná-lo pra dirigir assim. Então, ele vai cumprir a legislação, nesse caso é muito mais fácil porque ele não sabe dirigir e nós vamos treiná-lo a dirigir no modo convencional. A outra etapa é quando o candidato já era habilitado e passa a ter um deficiência física, nesse caso, além de ele ter os vícios do trânsito, temos que condicionar ele a dirigir de outra forma, se ele dirigia com os quatro dedos, agora ele vai dirigir com dois ou três, ou ele vai acelerar com as mãos, mão esquerda ou direita, então além de ensinarmos ele a dirigir de outra forma temos que tirar alguns vícios dele.
Marta: E tem muita gente que adquire uma deficiência!
Daniele: Sim! O que temos que ressaltar é que a cultura brasileira está mudando muito, mas ela ainda acha que pessoas com limitação física são paraplégicos ou ampultados e pra tirar essa habilitação são pessoas que tem limitação reduzida seja ela visível ou não. Temos muitos casos de pessoas que tiveram câncer de mama, artrite, artrose ou prótese interna que teve desgaste ósseo e que também pode tirar essa habilitação, e tem muita gente que não sabe, e através dessa habilitação ela pode ter benefícios fiscais.
Marta: A Daniele estava contando um pouco sobre a importancia da habilitação, principalmente, nos casos em que a pessoa dirigia antes e adquiriu uma deficiência. Daniele, você pode contar para os ouvintes a importância da habilitação?!
Daniele: Claro! A habilitação, nos casos das pessoas que não tem nenhuma limitação, é uma habilitação comum, mas para as pessoas que tem necessidade, que passam a ter isso, é como se a gente desse o direito de ir e vir. Então há melhora na reabilitação, na vontade de viver, na autoestima, pelo fato da pessoa ter limitação, nem que seja só pra levar alguém no mercado, principalmente homens, que sempre tiveram essa cultura de dirigir, de pegar o carro e ser o condutor da família, vai ser o condutor do próprio carro, então isso pra ele é muito importante. Nas reabilitações em que fazemos palestras, eles não tem ideia que podem voltar a dirigir, quando a gente mostra que pode, é impressionante a melhora.
Marta: Muito legal esse serviço! Daniele, o custo desse tipo de serviço é mais alto que o convencional?
Daniele: É um pouco mais caro sim, porque existe uma especialização e os carros são diferentes, eles tem que ser adaptados, tem manutenção de adaptação, normalmente são carros automáticos e são mais caros, então tem diferença, o instrutor que dá aula não pode ser um instrutor comum, ele tem que ser especializado, mais técnico, então realmente tem um custo diferente, tem uma difenreça de cerca de R$ 300,00 da habilitação comum.
Marta: Pra habilitar uma pessoa com deficiência os critérios são diferentes no Detran?
Daniele: Pra primeira habilitação temos que seguir a legislação, então o processo é igual, tem o cadastro, o Detran vai chamar pra checar se a pessoa é maior de idade e alfabetizada, vai fazer o curso teórico, que são nove dias de curso, a prova teórica que é feita no Detran e tem as vinte aulas práticas, são nessas vinte aulas práticas que tem um diferencial porque temos que fazer com que o aluno faça no carro que o médico indicou, e de acordo com as necessidades dele, tem casos que o médico indicou uma adaptação e na aula prática ele precisa de outra, então cabe à escola voltar no perito e dizer que precisa de uma nova adaptação, porque ele vai ser submetido ao exame prático com o médico, porque nessa hora que ele vai avaliar se na prática o candidado vai conseguir dirigir.
Marta: Você tem noção de quantas pessoas com deficiência passaram pela autoescola?
Daniele: Cerca de quarenta ou trinta mil pessoas! O índice de deficientes físicos no país é de 2,3%, mas as pessoas acham que dentro dessa quantidade só tem amputado e cadeirante. Pra poder dirigir e depois ter os benefícios de IPI, ICMS, IPVA e rodízios, que dá uns 23% de desconto só de IPVA, são pessoas que têm limitações ou doença que não são visíveis, as doenças degenerativas, esclerose múltipla, câncer, artrite, artrose, então a intenção é melhorar a qualidade de vida, são coisas que antigamente ninguém pensava nisso.
Marta: Você já está há um tempo nessa área, você notou diferença entre quando você começou trabalhar e agora?
Daniele: Sim! Tem melhorado muito, inclusive a parte do Estado, eles centralizaram, começaram a atender de outra forma, teve acessibilidade maior, a mídia tem ajudado muito, e as pessoas estão se calando menos!
Marta: Falando sobre o outro lado, e essa questão de vendas diretas pra pessoas com deficiência?
Daniele: A pessoa que vai tirar habilitação e já tem deficiência sabe mais sobre a legislação porque nasceu assim e está acostumada. As pessoas que passaram a ter dificiência estão carentes de informação, então orientamos como tirar habilitação, onde comprar o carro, quais benefícios, quais carros dão benefícios, valores, equipe que pode auxiliar. A autoescola Javarotti acabou se tornando um referencial.
Marta: Por favor passe o site da Javarotti!
Daniele: Nosso site é www.autoescolajavarotti.com.br e pode entrar em contato com a gente também pelo e-mail que é cfcjavarotti@uol.com.br .
Marta: Há quanto tempo essa autoescola trabalha com pessoas com deficiência?
Daniele: Nós trabalhamos com pessoas com deficiência há 18 anos, esse ano a escola teve a maioridade! Todas unidades que abrimos são voltadas a atender pessoas com deficiência física, atendemos também não deficientes, mas 90% dos alunos são deficientes.
Marta: Você já falou dos professores que são especializados, dos carros que tem adaptação, e o local físico?
Daniele: A escola é totalmente acessível dentro das normas, porque passamos por vistoria do Detran, e tudo é totalmente acessível, os banheiros, as áreas onde eles vão circular, então todas as unidades são acessíveis pra atender os alunos.
Marta: Como é a capacitação dos instrutores?
Daniele: Tem um treinamento que é feito por um dos nossos diretores que era instrutor e que começou a dar aulas e ele sabe como fazer, então é ele que dá treinamento, faz a seleção, até porque precisa ter um perfil pra trabalhar com instrutor. As autoescolas tem uma fama de não serem boas, de não terem bons profissionais, e a Javarotti se preocupa muito em formar bons profissionais pra formar bons motoristas.
Marta: Dani, infelizmente o nosso tempo está acabando,e eu queria que você deixasse uma palavra de despedida para os ouvintes da Eldorado!
Daniele: Eu agradeço a oportunidade, o convite pra explicarmos o nosso serviço, a conquista, porque a gente se sente parte dessa vitória, parte dessa conquista dos nossos alunos, só quem está lá pra saber como é importante o nosso trabalho, e o que precisar de nós nos colocamos à disposição, seja pra habilitação ou qualquer outro tipo de informação.
Claro que não sabemos de tudo, mas vamos buscar um auxílio, e eu agradeço a todos ouvintes! E para o que precisarem estamos a disposição!
Marta: Obrigada! Nós que agradecemos muito! E você ouvinte da Eldorado se você quiser escutar de novo essa entrevista ou entrevistas anteriores é só acessar o site www.territorioeldorado.com.br e link da Me clica no Derrubando Barreiras. E também queremos convidar você a conhecer os nosso blogs www.derrubandobarreirasacessoparatodos.blogspot.com e no blog do Território Eldorado www.territorioeldorado.com.br.
Blog-se, ouça as entrevistas, leia as notícias e deixe seu recado.
Comentários
Enviado em 24/05/12 às 23h28
Libi:
Gostei da reportagem, mas quero manisfestar a minha observação: quando eu liguei para a referida auto-escola, identifiquei-me como deficiente auditiva, tinha uma funcionária que não sabia comunicar comigo por telefone, e toda vez que eu fazia pergunta, essa pessoa cortava a minha frase.
Fiquei brava e ela retrucou:"Você está brigando comigo!"
Indignada, mandei a mulher me escutar: "Olha, quem não sabe comunicar é você, porque não ouve as pessoas terminarem as suas colocações e você vai cortando.Percebo que você está generalizando que todos os deficientes auditivos são brigões, o que não é verdade!"
Claro, essa pessoa se calou.
Observo que é muito comum na sociedade brasileira generalizar ou estereotipar uma raça, deficiência, etc com base da experiência individual de cada um. Muito simples assim! Mas, considero ridículo!
É muito importante as pessoas terem uma visão mais ampla e entender que as deficiências não tem especificidade.
Exemplo: A maioria das pessoas pensa que os surdos e os deficientes auditivos apenas comunica por libras, NÃO É VERDADE! Existem aqueles que dominam a língua portuguesa e são oralizados, também conseguem conversar por telefone.
Pensem e reflitam!
Enviado em 15/09/12 às 15h03
silna barbosa lampert (silna_lampert@hotmail.com):
Acabo de ler esta entrevista do Derrubando Barreiras e penso que vocês estão no mesmo "barco" que nós. Por isto peço que juntem-se a nós nesta batalha para que não sejam mais usado vasos sanitários com fenda frontal, que são colocados nos banheiros adaptados para as Pessoas com Deficiência. Solicitamos a assinatura nesta Petiçã Públicae enviem para seus contatos. http://www.peticaopublica.com/?pi=silna