Afinal, quem precisa de atenção?

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Não sei exatamente quando, não sei exatamente onde, mas sei exatamente quem falou a seguinte frase: “Se escola especial fosse boa tenho certeza que você desejaria que seus filhos lá estudassem”. A professora Maria Tereza Mantoan rebateu com essa frase a uma colocação de um defensor das escolas especiais durante uma mesa redonda. Essa é a mais pura verdade, se a escola especial fosse tão boa todos deveriam querer estudar lá. Mas não é assim que funciona, para lá são encaminhadas as crianças que precisam de atenção diferenciada e, nesse pequeno mundo “especial”, são segregadas as crianças que serão discriminadas por toda sua vida caso esse perfil de escolas especiais ainda perdure.

Para muitas pessoas conviver com a diversidade é realmente um desafio que elas não desejam vencer. Há mais ou menos 5 anos, em uma escola que meus filhos estudavam, o pai de uma criança foi questionar com a coordenadora pedagógica a razão pela qual uma criança com paralisia cerebral havia sido aceita na escola e declarou sua indignação com o fato de tal criança “roubar” a atenção de seu filho, já que a professora precisaria dispender muito tempo tentando fazer com que a criança acompanhasse a classe. Finalizou sua fala declarando que ele retiraria seu filho da escola caso a direção mantivesse a decisão de manter a criança dentre seus discentes. A escola manteve a criança com deficiência e, infelizmente, a criança cujo pai mostrou-se intolerante à inclusão saiu. Quem saiu perdendo nesse processo? Será que se esse pai desse uma chance ao desconhecido ele não teria tido a chance de aprender com a diversidade? Será que seu filho não seria uma criança tolerante à diferença e um adulto aberto à novas possibilidades?

Quais crianças precisam de maior atenção de seus professores ou melhor, como saber quais crianças precisarão de maior atenção de seus professores? Tal dado não vem escrito na certidão de nascimento ou na transferência escolar das crianças. Estudantes que não precisam de maior atenção em um ano, semestre, bimestre, mês, semana ou dia talvez precise em outro. A aprendizagem é um processo dinâmico e permeado por inúmeras variáveis, como as orgânicas, as psicológicas e as sociais. Acho que mais importante que isso, será que essa variável deve mesmo ser discutida? Será que é isso mesmo que faz a diferença dentro de uma sala de aula?

Inclusão não restringe-se a uma escola arquitetonicamente adaptada com rampas, elevadores, banheiros etc., não que isso não seja importante, mas isso não é tudo. A reflexão realizada pela equipe na elaboração do projeto pedagógico deve ser valorizada e entendida pelos pais. Os projetos devem valorizar a cultura, a experiência e as histórias da turma de alunos. As atividades a serem realizadas são planejadas para que todos aprendam? No processo avaliativo as escolas ainda esperam que todos aprendam da mesma forma? Aqui não falo de alunos com deficiência ou não, os alunos precisam de liberdade para aprender e cada um o faz em seu ritmo. Por que as escolas ainda padronizam e formatam os resultados esperados? Talvez ainda seja mais fácil avaliarmos linhas de produção em massa que seres humanos em sua individualidade.