Meu acidente (o dia) - 1ª parte
Publicado em julho de 2011
Fazia a gestão de um restaurante típico na localidade onde ainda vivo. Várias viagens ao dia, em serviço, num Renault 5 GTL da empresa. No dia 20 de Fevereiro de 1991, na parte da tarde, numa dessas viagens, numa reta ao chegar à localidade de Alvega (a 2Km do restaurante), carro foge todo repentinamente para a esquerda, bate estrondosamente num muro, dá várias cambalhotas e sou cuspido não sei por onde, indo parar no meio de um olival, sem um único arranhão. Ia sozinho e sem cinto de segurança. Lembro-me de logo a seguir ouvir vozes, abri os olhos, ver vultos, comecei a engasgar-me e a ter dificuldade em respirar devido ao sangue que saia da boca e acho que nariz, viraram-me a cabeça de lado e não me lembro de mais nada.
Não sei o tempo que demorou a chegar o INEM
(Instituto Nacional de Emergência Médica de Portugal), mas acho que foram rápidos. Só me lembro de, ao chegar de ambulância ao Hospital de Abrantes, que era o mais próximo, e ao descerem-me na maca, vi uma irmã minha e o dono do restaurante que geria debruçados sobre mim. Não me lembro de os ouvir e nem expressão de seus rostos, mas lembro-me que lhes pedi repetidamente que não me deixassem morrer.
Dentro do hospital acordei com uns zumbidos muito fortes e estranhos. Aquilo entrava-me pelo cérebro dentro. Estavam a abrir-me dois buracos (com algo do gênero de um berbequim - instrumento para perfurar) no crânio, mais ou menos por cima das orelhas (ainda mantenho as cicatrizes bem visíveis. Nunca mais ali nasceu cabelo. Soube dias mais tarde que esses buracos serviram para introduzir uns ferros que com a ajuda de 10 quilos, fariam com que o pescoço continuasse esticado. Acho que chamam tração). Depois de parar o barulho, sinto que me continuam a mexer na cabeça, mas não sei o que fazem.
Nessa noite, acordo dentro de outra ambulância e vejo uma enfermeira muito bonita, jovem e não sei porquê (nem me lembro se conversamos) achei-a muito simpática. Ia a caminho da Unidade Vertebro Medular do Hospital de São José, em Lisboa, onde fui operado para me reconstruírem as vértebras e estive internado uns meses.
Continua…




