Leandro Portella

Já ouviram dizer que o Amor pode curar?

Publicado em janeiro de 2013

Amor é o nível de responsabilidade, utilidade e prazer com que lidamos com as coisas e pessoas que conhecemos.

O conceito mais popular de amor envolve, de modo geral, a formação de um vínculo emocional com alguém, que seja capaz de receber este comportamento amoroso e enviar os estímulos sensoriais e psicológicos necessários para a sua manutenção e motivação. É tido por muitos como a maior de todas as conquistas do ser.

Quando encontramos com o amor verdadeiro, geralmente, o reconhecemos pelo olhar que é a atitude mais pura e impossível de ser disfarçada ou manipulada, e é esse sentimento que faz transformações químicas no corpo, provoca a liberação de hormônios que dão energia, disposição, sensação de alegria e uma motivação para estar cada vez melhor.

Estudos mostram que amar deixa as pessoas mais motivadas, cheias de energia, com objetivos na vida, calmas, relaxadas e otimistas. Esse amor que mexe com as sinapses entre neurônios pode ajudar na reabilitação

Reabilitação é um gesto de amor que embute uma relação entre todos os cuidadores e familiares no intuito de tornar possível a recuperação. A reabilitação não significa, por outro lado também, como dizia Hipócrates, pai da ética médica, um simples consolo para todas as pessoas que o procuravam, reabilitação significa utilizarmos a nossa literatura científica para fazer e proporcionar a melhor qualidade de vida possível às pessoas que nos procuram.

Em resumo, o ato de reabilitar significa, principalmente, duas coisas: a primeira, lembrar da esperança e recuperar a alegria de viver que todos nós devemos ter. E a segunda, mais específica, com o auxilio da ciência restabelecer as funções motoras, sensitivas e sensoriais possíveis.

O filme francês IntocáveisSite externo., lançado em meados de 2012, retrata bem o amor do cuidador em melhorar a qualidade de vida de um tetraplégico e mostra que amar não é só passar a mão na cabeça, é ser duro quando necessário e apoiar quando preciso.

Independente do tipo do amor, o importante é "Amar o próximo como a si mesmo: fazer pelos outros o que quereríamos que os outros fizessem por nós", isso não é a promessa de cura, mas sim a certeza de uma melhor qualidade de vida que dará animo e disposição para uma reabilitação mais rápida.

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“Levanta” e “Anda”

Publicado em maio de 2012

O fato de estar em uma cadeira de rodas não nos dá o direito de reclamar da vida. Não estou dizendo que é fácil viver com uma lesão medular, porém, se é necessário ter a tão falada qualidade de vida, ficar apenas lamentando não trará melhoras nesse sentido.

Parafraseando a Deputada Mara GabrilliSite externo.: Não posso negar que sou um privilegiado pelo acesso e estrutura que disponho para ser um Leandro ativo, produtivo, feliz e tetraplégico, sendo esta última característica a que menos identifica o meu espírito, que é livre e sem nenhuma paralisia. Essa liberdade, ainda inatingível para milhões de outros brasileiros, só é possível por conta de recursos tecnológicos e humanos que anulam meu impedimento motor.

O termo qualidade de vida, de fato, tem sido muito utilizado ultimamente, mas não há consenso sobre sua definição. A qualidade de vida não está à venda como se fosse um item da moda ou de um supermercado, também não a conseguimos adquirir de um dia para o outro.

Não generalizando, mas estamos mal acostumados com privilégios, benefícios, cotas, etc. É claro que devemos ter, usufruir e lutar por muitos outros direitos para que as diferenças e a exclusão das minorias (inerente à sociedade em que vivemos) diminuam. Porém, temos a tendência de achar que, por estarmos em uma cadeira de rodas, tudo tem que vir até nós, literalmente esperando sentados que as coisas aconteçam e adiando as coisas boas da vida. Como se fosse possível pausar a vida e só apertar o “PLAY” quando a reabilitação plena acontecer. A vida tem algo de “aqui e agora”, e algo que poderíamos chamar de “planejar o futuro”.

Sabemos que boa parte das coisas que estão ligadas à qualidade de vida da pessoa com deficiência tem custos elevados, porém a vida não faz promessas de como será o nosso caminho, devemos perseguir nossos próprios ideais e lutar para atingi-los e aproveitar as oportunidades que a vida nos oferece, mesmo que sejam poucas. Afinal, quando nos acomodamos não apenas deixamos de “caminhar” adiante, como também corremos o risco de perder muito do que já foi conquistado.

A questão central é que precisamos fazer alguma coisa, “não deixar para amanhã tudo aquilo que gostaria de fazer, posso fazer e tenho condições de fazer hoje”, “levantar” a bunda da cadeira e “correr” atrás dos nossos desejos!

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Motrix ou Headmouse?

Publicado em março de 2012

Tecnologia Assistiva é um termo, utilizado para identificar todo o arsenal de Recursos e Serviços que contribuem para proporcionar ou ampliar habilidades funcionais de pessoas com deficiência e, consequentemente, promover Vida Independente e Inclusão.

Tem-se desenvolvido recursos de Tecnologia Assistiva e de acessibilidade promovendo acesso ao computador através de softwares e dispositivos adaptados.

O computador pode ser utilizado como recurso terapêutico, mas também para estimular e aumentar participação social desses indivíduos, sendo um meio de comunicação, ferramenta de trabalho ou mesmo alternativa de lazer.

Atualmente, existem vários softwares desenvolvidos para pessoas com deficiência, alguns deles são utilizados por lesados medulares, em especial tetraplégicos.

Os mais usados são: Motrix e Headmouse

Headmouse
O programa permite que os usuários mexam o mouse e usem seu desktop fazendo apenas alguns movimentos com a cabeça, trabalhando em conjunto com qualquer webcam, que detecta estes movimentos e os transmitem para o mouse.

Vantagens:
O programa é iniciado junto com o sistema operacional e sua calibragem é feita de forma automática facilitando o acesso. Os requisitos mínimos de funcionamento: um processador Pentium IV 2GHz, webcam resolução mínima 640x480. Dowload gratuito.

Desvantagens:
Suas funções somente substituem o botão principal do mouse.Clique duplo, botão secundário e o botão de rolagem são inutilizados. Poderia haver mais idiomas disponíveis para a leitura de manuais e processo de instalação e a disponibilidade de compatibilidade com outros sistemas como, LINUX. Com a prática e conhecimento básico em informática é possível utilizá-lo.

Dowload - http://www.tecnologiasaccesibles.com/pt/headmouse.htmSite externo.

•  Motrix

O Motrix é um software produzido pelo Núcleo de Computação Eletrônica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (NCE/UFRJ)Site externo. que permite ações de mouse e do teclado, acionamento de programas do Windows, acionamento de scripts adaptativos, seleção de menus de comando por meio de voz.

Os comandos possuem uma diferença sonora entre as palavras, aumentando assim a confiabilidade do entendimento pela máquina. Sempre que um comando é acionado ele é escrito na barra de comandos do Windows, e desta forma a pessoa pode ter um feedback sobre o entendimento ou não do comando pelo reconhecedor. O sistema permite também digitação soletrando. Para diferenciar os sons das letras, o Motrix utiliza o alfabeto fonético de aviação.

Alpha Bravo Charlie Delta Echo Foxtrot Golf Hotel India
Juliet Kilo Lima Mike November Oscar Papa Quebec Romeo
Sierra Tango Uniform Victor Whiskey Xray Yankee Zulu

Vantagens:
O programa é iniciado junto com o sistema operacional, é gratuito, apesar dos comandos serem em inglês, não é necessário dominar o idioma. Acesso a todos os comandos.

Desvantagens:
Compatível apenas com o sistema Windows, exceto Windows 7 e Vista, há ainda versão em português, que é cansativa se o uso for prolongado. Sensível a barulhos externos.

Dowload: http://intervox.nce.ufrj.br/motrix/download.htm Site externo.

Há quem prefira o Headmouse, há quem prefira o Motrix e há também quem não prefira nenhum software e, sim, adaptações mais simples, como suportes com espátulas para boca ou cabeça.O melhor a fazer é consultar uma Terapeuta Ocupacional, que ajudará a descobrir o que melhor se adéqua às suas necessidades.

O mais importante é ter opções de equipamentos, serviços e práticas para minimizar os problemas encontrados pelas pessoas com deficiências, para que essas possam estar adaptadas para ter uma boa qualidade de vida. 

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Rodas de Batucada

Publicado em fevereiro de 2012

O talento somado com força de vontade e disciplina só podia resultar em sucesso. Depois de assistir a peça “Noturno Cadeirantes”, achei que nada mais me surpreenderia e emocionaria tanto, porém no início de fevereiro assisti “Terra”, um verdadeiro espetáculo!

Tudo começou quando o projeto “Comunidade do TamborSite externo.”, que é de autoria da fisioterapeuta Ana Paula Mantovani Armelim e do músico Richard Lefévre, foi aprovado pela Linc – Lei de Incentivo a Cultura, da Prefeitura de SorocabaSite externo.. Eles tinham os objetivos de promover a cultura popular brasileira, melhorar a qualidade de vida e a autoestima, promover a educação popular e a interação sócio-cultural, além de criar um portifólio para divulgação do projeto.

Quando achava-se que o mais difícil havia sido a aprovação pela Linc, os autores do projeto encontraram “N” obstáculos que impediam a realização do mesmo, sendo que o mais desafiador deles foi encontrar cadeirantes dispostos a superar os problemas de uma cidade que ainda não está estruturada para todas as comunidades, a falta de acessibilidade nas ruas e o transporte adaptado escasso.

Depois de mais de cinco meses de ensaio, os nove cadeirantes, juntamente com os cerca de quarenta profissionais, entre vocalistas, músicos, intérpretes, figurinista e coreógrafa, apresentaram o espetáculo “Terra”, que teve como norte a cultura popular brasileira. Maracatu, congado mineiro, coco, ciranda, bumba meu boi e xaxado são os ritmos que compõem o repertório do grupo, que tocará instrumentos como alfaia, zabumba, mineiro (espécie de ganzá), matraca, pandeirão, entre outros. Além da música, houve declamação de poesia e até performances de dança e capoeira, mostrando a força e determinação dessa “Comunidade”.

Minutos antes do início da apresentação, o camarim exalava ansiedade e adrenalina, mas bastou a batucada começar para ver e ouvir a alegria no palco e sentir a emoção da plateia com aplausos e choros não contidos.Em cada música e a cada performance, uma surpresa encantava o público.

A Comunidade do Tambor atingiu não só os objetivos descritos, o projeto formou uma família, a “Família do Tambor” e que daqui pra frente essa família ganhe novos membros, parceiros e promova novos shows. Deixo aqui meus parabéns pela iniciativa e minha admiração por todos que fizeram esse espetáculo!

(grito) “COMUNIDADE!”

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Um mergulho e nada mais!

Publicado em dezembro de 2011

IlustraçãoO Verão, que tem início em 21 de dezembro e finda por volta de 20 março, é uma das quatro estações do ano mais bonitas e alegres. Neste período, as temperaturas permanecem elevadas e os dias são longos, propícios para um banho de cachoeira, um mergulho na piscina, no mar, no lago ou no rio! Geralmente, o verão é também o período do ano reservado às férias.

Nessa estação aumenta o número de situações que trazem risco para o banhista. Quem nunca se empolgou e deu um mergulho de cabeça na piscina? Ações como estas podem custar à coluna vertebral, lesões graves como trauma raquimedular.

Acidentes por mergulho acontecem com uma frequência maior do que se imagina. Segundo dados do Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São PauloSite externo., o mergulho em água rasa é a quarta causa de lesão medular no Brasil. E em época de verão, o acidente ocupa a segunda maior incidência do país. Para se ter uma ideia deste número, a cada semana, cerca de dez pessoas ficam paraplégicas ou tetraplégicas ao bater a cabeça em mergulhos.

As vítimas são indivíduos jovens, sadios, geralmente do sexo masculino, que na maioria das vezes ingeriram bebida alcoólica.

Para que a diversão não termine em tragédia é preciso ter alguns cuidados:

• Não mergulhe em água turva
• Antes de mergulhar, verifique a profundidade do local
• Faça o primeiro mergulho de pé
• Evite brincar de empurrar amigos para dentro de lagos, poços, piscinas
• Não consuma álcool ou drogas

Medidas preventivas e educativas também são primordiais para a diminuição de novos casos. Algumas ONGs têm organizado campanhas.Uma das mais atuantes é a do Instituto Mover de GoiâniaSite externo., que criou a campanha “Use a cabeça, mergulhe de pé”, que consiste na distribuição de material impresso (cartilha) e a fixação de banners trazendo informações e recomendações de segurança para os banhistas.

A iniciativa do Instituto MoverSite externo. começou na região do Rio Araguaia e, aos poucos, vai ganhando outras partes do Brasil. Outras boas campanhas como “Cuidado! Sua coluna é frágilSite externo.” do HC Ribeirão e da Rede de Reabilitação Lucy MontoroSite externo., e a campanha "Prevenção Rima com Verão", da Universidade FeevaleSite externo. e da Associação de Lesados Medulares do Rio Grande do Sul (Leme)Site externo. também alertam sobre o perigo do mergulho em água rasa!

No Brasil são aproximadamente 10 mil novos casos de lesões medulares por ano, não faça parte dessa estatística, um simples mergulho pode mudar sua vida!

Fique atento, previna-se!

 

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Foto da(o) colunista Leandro Portella

Leandro Portella tem 30 anos e é tetraplégico desde 1999, gerente da Sorri SorocabaSite externo., integrante da comissão organizadora do Encontro pela Inclusão de Sorocaba e mantém o blog Ser LesadoSite externo..

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