Onde estão os deficientes no Brasil?
Publicado em abril de 2012
Apesar da sequela de pólio
, tenho uma vida bastante movimentada: trabalho, estudo, viajo, frequento cinema, saio para jantar, etc.
Recentemente, eu estava no aeroporto internacional de Guarulhos aguardando meu embarque para a cidade de Recife/PE. Sem nada para fazer, fiquei observando as pessoas passarem ao meu redor. O aeroporto estava bastante movimentado. Chamou-me a atenção o fato de que por mais de 1 hora não vi nenhuma pessoa com qualquer tipo de deficiência passar por mim.
Diante de tal fato, fiquei pensativo e me perguntei – se a população de pessoas com deficiência no Brasil é de aproximadamente 15% (censo IBGE
– 2000), onde elas estariam?
Nos dias seguintes à viagem, fiquei mais atento e observador. Minha intenção era identificar pessoas que apresentassem qualquer tipo de deficiência, pois não conseguia entender onde estariam os deficientes, considerando que aproximadamente 28 milhões de brasileiros têm algum tipo de limitação - motora, de visão, de audição ou mental.
Para minha surpresa e decepção, naquela semana passei por apenas duas pessoas com deficiência.
A partir dessa constatação, me indaguei: onde estariam os deficientes? Após refletir sobre o tema, cheguei, empiricamente, a conclusão de que as pessoas com qualquer tipo de deficiência ficam reclusas em suas casas. Essas pessoas cumprem pena em razão da condenação que lhes foi imposta pelo tribunal, poucas vezes justo, da vida. Esse tribunal, impiedoso e preconceituoso, espantem, é formado por nossos pais e familiares, pela sociedade e por nós deficientes.
O crime imputado aos deficientes é o de ter nascido ou ficado diferente da grande maioria das pessoas que habita o nosso planeta.
São poucos os deficientes que conseguem a absolvição ou tem a pena reduzida, lhes sendo concedido o direito de trabalhar, estudar, alcançar a independência financeira, casar, ter filhos, viver...
O grande vilão, o acusador da vida dos deficientes é o preconceito. O preconceito, sem qualquer clemência, exclui, abandona, tira oportunidades, inibe e destrói sonhos.
Muitas vezes, o preconceito, sob o pretexto da proteção, essa quase sempre exagerada ou indevida, tira o direito de viver da pessoa com deficiência. Renegada ao exílio do lar e pela razão aparente do amor, a pessoa com deficiência tem sua vida resumida ao convívio familiar, lhe sendo ceifada a condução da sua própria história. Dela é retirada a faculdade de fazer escolhas, de explorar as experiências e riquezas que a vida proporciona, de aprender, de conhecer o novo, etc. Evidentemente que aqui estão excluídas aquelas pessoas cuja limitação as torna totalmente dependentes dos entes mais próximos para sobreviver.
A raiz deste preconceito é nutrida pela falta de instrução, por questões culturais, pelas crenças e dogmas que foram sendo formados em nós e pela resistência e medo que temos de lidar com o diferente.
Conclamo todos a quebrar os paradigmas e romper as barreiras do preconceito, “concedendo o direito” e incentivando as pessoas com deficiência a serem capitães das suas vidas.
O deficiente não pode ser um mero e desconhecido espectador da vida, ele tem que ser o protagonista da vida e da sua história.
Desejo ver mais pessoas com deficiência nas empresas, nas escolas, nos parques, nas padarias, nos bares e restaurantes, nos aeroportos, nos bancos, nas ruas, em viagens, etc., e não apenas no salão de espera da oficina da AACD – Associação de Assistência à Criança Deficiente
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Olá, eu sou Oswaldo Nardini Neto
Publicado em janeiro de 2012
Olá, eu sou Oswaldo Nardini Neto, e a partir deste mês, passo a escrever mensalmente para Vida Mais Livre. Em seis meses, faço 40 anos e convivo com seqüela de pólio desde os sete meses de idade. A poliomielite
, mais conhecida como paralisia infantil, deixou seqüelas em meus membros inferiores, sendo que o esquerdo sofreu maior impacto.
Acho importante vocês conhecerem um pouco da minha história, razão pela qual, neste primeiro trabalho, vou fazer uma síntese da minha vida, mais precisamente, sobre a profissional.
Sou natural de Piracicaba
, Estado de São Paulo, comecei a trabalhar com 15 anos de idade em uma sapataria no bairro em que eu morava. Eu era engraxate. Depois de seis meses que eu estava trabalhando na sapataria, fui trabalhar em uma fábrica “caseira” de pastas de couro, onde trabalhei por três anos. Já com dezenove anos de idade, fui morar em São Bernardo do Campo
para trabalhar com meu pai em um mercado de frutas, verduras e legumes. Foram seis meses de muito trabalho - trabalhava de segunda a segunda. Uma experiência muito gratificante que me trouxe um amadurecimento precoce, mas valioso. Ainda não tinha completado um ano que eu estava em São Bernardo do Campo, meu pai decidiu voltar para o interior de São Paulo e eu fiquei literalmente sozinho. Fui morar em Santana, bairro da cidade de São Paulo
.
Entrei na faculdade de direito na UniFMU
e após me formar, fui trabalhar no Rio de Janeiro
como advogado em um escritório que prestava serviços para seguradoras. Depois de um ano e meio morando no Rio de Janeiro retornei para São Paulo, onde estou até hoje.
Além da faculdade de direito, fiz pós-graduação em Gestão Estratégica em Seguros e Resseguros pela Universidade Presbiteriana Mackenzie
e MBA em gestão pela Escola de Negócios Trevisan
. Faz cinco anos que trabalho no Grupo Segurador Banco do Brasil e Mapfre
, atualmente como gerente do jurídico contencioso de seguros de pessoas.
Nas linhas acima procurei fazer um breve relato sobre minha vida, para que vocês possam me conhecer e com isso criarmos uma relação de respeito e parceria. Nos próximos textos, não pretendo falar sobre minha vida e experiências. Minha proposta é falar sobre questões legais e práticas que envolvam o cotidiano de pessoas com qualquer tipo de deficiência. Evidentemente, que em muitos casos utilizarei minhas vivências como exemplos e compartilharei minhas experiências.
Se desejar emitir opiniões, sugerir, criticar ou compartilhar uma experiência vivida, sinta-se a vontade, pois desejo fazer deste valioso espaço um instrumento de convivência e trocas de informações e experiências.
Que o seu Ano de 2012 seja Abençoado por Deus.




