Andrea Schwarz

Pessoas com deficiência: um brevíssimo panorama histórico-social

Infeliz e tristemente, a trajetória da população com deficiência ao longo da história foi marcada por estigma, pena, culpa e, sobretudo, por exclusão e segregação.
 
Entre os séculos XII e meados do século XX, disfarçada em meio a um discurso protecionista e de fortalecimento das pessoas com deficiência, a institucionalização foi a solução social “adequada” para satisfazer suas necessidades mínimas de alimentação, alojamento e saúde. É possível ver, ainda hoje, em diversos países, a retirada de pessoas com deficiência de suas comunidades de origem. Muitas vezes, elas são levadas para instituições isoladas ou para escolas especiais, frequentemente distantes de suas famílias.
 
A partir de meados do século XX, a integração passou a ser o modus operandi de inter-relação entre as pessoas com deficiência e a sociedade. Neste modelo, o processo referia-se à necessidade de modificar a pessoa com deficiência, de maneira que ela pudesse se assemelhar, o máximo possível, aos demais cidadãos. Só assim ela poderia ser inserida e integrada no convívio social.
 
Foi nos anos 90 que assistimos à Conferência Mundial de Educação para Todos e à Declaração de Salamanca de Princípios, Políticas e Práticas para as Necessidades Educativas Especiais que possibilitaram uma nova perspectiva de tratamento das pessoas com deficiência: a inclusiva. Nela, as exigências não se referem apenas ao direito da pessoa com deficiência à integração social, mas também ao dever da sociedade como um todo se adaptar às diferenças individuais. Além disso, nesta perspectiva, a limitação de uma pessoa não pode incidir na diminuição de seus direitos.
 
Foi neste cenário que, em 1991, tivemos promulgada a Lei de Cotas, que reserva às pessoas com deficiência um percentual das vagas ocupadas nas empresas com cem ou mais funcionários e que tem propiciado a entrada no mercado de trabalho formal um contingente de cidadão historicamente excluídos.

Comentários

Enviado em 03/03/11 às 09h29

Ilma (ilmacir@hotmail.com):

parabéns pelo texto! Ficou ótimo, claro, suscinto e objetivo.

Enviado em 28/04/12 às 22h52

MARLETE SOUZA (marletesferreira@hotmail.com):

SOU DEFICIENTE AUDITIVO,NO MEU PRIMEIRO EMPREGO ESCONDI ESSA DEFICIÊNCIA,MAS CONFESSO QUE SOFRIA BASTANTE COM ISSO.MAS DEPOIS TIVE CORAGEM PARA ASSUMIR NO MEU SEGUNDO E ATUAL EMPREGO MESMO COM TANTA LUTA CONTRA O PRECONCEITO ,AINDA SINO QUE ALGUMAS PESSOAS CONTINUAM NOS VENDO COM INDIFERENÇA.MAS COM A NOVA LEI JÁ NOS AJUDAR A SUPER UM POUCO ESSA DIFICULDADE. PARABÉNS PELO TEXTO.

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Foto da(o) colunista Andrea Schwarz

Andrea Schwarz é formada em fonoaudiologia pela PUC – SP. Há dez anos atua como consultora em inclusão social, com foco na empregabilidade de pessoas com deficiência. Em 1998 Andrea se tornou cadeirante devido a uma má formação congênita na medula espinhal.

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