Pessoas com deficiência: um brevíssimo panorama histórico-social
Infeliz e tristemente, a trajetória da população com deficiência ao longo da história foi marcada por estigma, pena, culpa e, sobretudo, por exclusão e segregação.
Entre os séculos XII e meados do século XX, disfarçada em meio a um discurso protecionista e de fortalecimento das pessoas com deficiência, a institucionalização foi a solução social “adequada” para satisfazer suas necessidades mínimas de alimentação, alojamento e saúde. É possível ver, ainda hoje, em diversos países, a retirada de pessoas com deficiência de suas comunidades de origem. Muitas vezes, elas são levadas para instituições isoladas ou para escolas especiais, frequentemente distantes de suas famílias.
A partir de meados do século XX, a integração passou a ser o modus operandi de inter-relação entre as pessoas com deficiência e a sociedade. Neste modelo, o processo referia-se à necessidade de modificar a pessoa com deficiência, de maneira que ela pudesse se assemelhar, o máximo possível, aos demais cidadãos. Só assim ela poderia ser inserida e integrada no convívio social.
Foi nos anos 90 que assistimos à Conferência Mundial de Educação para Todos e à Declaração de Salamanca de Princípios, Políticas e Práticas para as Necessidades Educativas Especiais que possibilitaram uma nova perspectiva de tratamento das pessoas com deficiência: a inclusiva. Nela, as exigências não se referem apenas ao direito da pessoa com deficiência à integração social, mas também ao dever da sociedade como um todo se adaptar às diferenças individuais. Além disso, nesta perspectiva, a limitação de uma pessoa não pode incidir na diminuição de seus direitos.
Foi neste cenário que, em 1991, tivemos promulgada a Lei de Cotas, que reserva às pessoas com deficiência um percentual das vagas ocupadas nas empresas com cem ou mais funcionários e que tem propiciado a entrada no mercado de trabalho formal um contingente de cidadão historicamente excluídos.





Comentários
Enviado em 03/03/11 às 09h29
Ilma (ilmacir@hotmail.com):
parabéns pelo texto! Ficou ótimo, claro, suscinto e objetivo.
Enviado em 28/04/12 às 22h52
MARLETE SOUZA (marletesferreira@hotmail.com):
SOU DEFICIENTE AUDITIVO,NO MEU PRIMEIRO EMPREGO ESCONDI ESSA DEFICIÊNCIA,MAS CONFESSO QUE SOFRIA BASTANTE COM ISSO.MAS DEPOIS TIVE CORAGEM PARA ASSUMIR NO MEU SEGUNDO E ATUAL EMPREGO MESMO COM TANTA LUTA CONTRA O PRECONCEITO ,AINDA SINO QUE ALGUMAS PESSOAS CONTINUAM NOS VENDO COM INDIFERENÇA.MAS COM A NOVA LEI JÁ NOS AJUDAR A SUPER UM POUCO ESSA DIFICULDADE. PARABÉNS PELO TEXTO.