Enrique Dias

A tecnologia e a pessoa com deficiência

Publicada em 28 de fevereiro de 2011

Venho notando que as diferentes tecnologias que estão à disposição da sociedade por um lado ajudam e por outro atrapalham as PcDs.

Cada PcD tem a sua característica própria e consequentemente, as suas necessidades próprias.

Para você, a tecnologia está sendo mais positiva do que negativa?

Por exemplo, os cadeirantes ganham com as cadeiras tecnológicas e com a acessibilidade dos automóveis adaptados às suas necessidades.

Ponto para a tecnologia.

Mas, (sempre tem um mas) o mercado de trabalho pode estar ficando cada vez mais complicado.

Por exemplo, um deficiente visual era treinado para operar os antigos PABX, e ficava anos na função, conectando os cabos nos plugues. Hoje, essa função exige um outro perfil de funcionário. É tudo informatizado e a função exige uma pessoa que tenha uma ação rápida e eficiente (o mundo está mais rápido e exigente). A tela do sistema operacional diz de onde vem a ligação e também sinaliza se o profissional que irá receber a chamada está ou não em sua mesa. Com isso, a tecnologia elimina o operador tradicional e mesmo que haja a necessidade de um, este tem que estar sempre se atualizando, pois o período de uso das novas tecnologias é cada vez menor. Treinar uma PcD é mais demorado e mais honeroso. E as empresas estão cada vez mais, burlando a lei e usando isso como uma das desculpas para o não cumprimento da mesma.

Ponto contra a tecnologia.

Outra coisa que me ocorreu ao analisar essa revolução tecnológica é o impacto dos novos utensílios domésticos e ou pessoais. O telefone está ficando cada vez mais multifuncional, porém no tempo dos telefones de discos e teclas, as PcDs estavam no mesmo nível de utilização dos aparelhos que as pessoas sem deficiências. Hoje, a PcD paga o mesmo valor que qualquer pessoa, mas faz uso apenas do básico da tecnologia oferecida.

Posso então pensar que estamos pagando a mais do que realmente estamos usando.

No meu caso, com apenas 5% de visão, tenho tido mais dificuldades atualmente para selecionar e ajustar canais de televisão, fazer chamadas nos telefones cada vez menores, com telas pequenas e necessárias para realizar funções básicas. O rádio dos carros, antes funcionavam com dois botões e uma tecla de AM/FM, agora, ou é touch screen ou tem dezenas de teclinhas. Impossível de se operar. Aliás, a tecnologia do iPad com todas as funções na tela, tudo lindo e sensacional, mas não para a grande maioria das PcDs. Estamos sendo afastados dos avanços das tecnologias de massa.

Estou sentindo que com a chegada das novas tecnologias, a distância que já tinhamos do mundo dos normais, está ficando maior.

Como disse antes, cada caso é um caso e cada PcD tem a sua percepção dessa relação tecnologia/deficiência.

E você? Tem sido melhor ou mais difícil a sua realidade quando você enfrenta o seu dia a dia?

Mais do que um artigo ou uma crônica, este texto tem a finalidade de coletar a sua informação, a sua relação com essa nova realidade. Dentro da sua necessidade, o que melhorou e o que piorou?

Comentários

Enviado em 28/02/11 às 19h10

Maitha Cassouto (mrdc63@hotmail.com):

e certo, a evolucao tecnologica afecta aqueles que tem alguma deficiencia. Temos que manifestar essas debilidades para poder florecer outros recursos mas favoraveis. muito bom ponto.

Enviado em 01/03/11 às 18h36

Dani souto (dani.souto@oi.com.br):

Como você mesmo destacou, esta relação muda de acordo com cada pessoa. Mas eu, como deficiente visual total, discordo ao menos no que tange ao uso das funções do telefone. Em relação ao mercado de trabalho... Concordo que as oportunidades estão mais difíceis, mas penso que cabe também a nós nos qualificarmos.

Enviado em 07/03/11 às 13h03

Simone (simone_bernardo@hotmail.com):

Legal o texto que o autor fez. Sou surda, como não posso ouvir, até hoje eu sonho em que inventassem um aparelho que "ouça" a pessoa que fale do outro lado e deixe no display para eu ler e entender o que a pessoa quer. Mas, como existe o TDD (ou TS), não dou preferência porque exigem outra pessoa ouvir a pessoa falando no telefone e ainda digitar no display. Isso eu vejo beeeem conservador. Outra coisa, não é tão atrativo porque primeiro exige um outro TDD para a pessoa quem quer falar comigo, segundo, tem que comprar este aparelho. Não acho o TDD vantajoso. Outra coisa, existem os comunicadores de mensagens (MSN, ICQ, etc.) no computador e o celular/smartphone para troca de mensagens (torpedos), acho isso legal, mas tem gente preguiçosa para digitar, ou seja, comunicar-se...

Enviado em 29/03/11 às 15h16

Wesley Pires (wesleypires@yahoo.com.br):

Atualmente existe no mercado, acredito que em Santa Catarina e no Paraná, uma empresa brasileira de Tecnologia que se preocupa muito com os portadores de necessidades especiais, tanto a linha de seus produtos são voltados para educação, em específico a linha de carteiras escolares informatizadas tem um modelo sob medida para PNE, é a Desk One PNE, essa carteira tem regulagem de altura para o cadeirante entrar perfeitamente e se for necessário, ainda conta com teclado colméia próprio para as portadores de deficiências em membros superiores. Achei super interessante a iniciativa dessa empresa, e aqui no colégio onde leciono foram adquiridas 2 salas de aulas com essas carteiras, sendo quatro para nossos alunos deficientes. É muito bom saber que uma empresa brasileira se preocupa essa questão, tão discriminada ainda. Visitem o site do idealizador desses produtos. www.mauriciooppitz.com.br

Enviado em 01/04/11 às 03h55

Edson Junior (jrmontanha@uol.com.br):

O texto trata de um problema real, mas com uma visão que, a meu ver, soa pessimista demais. O tom utilizado pelo autor sugere que devemos então voltar às velhas tecnologias para resolver o problema da falta de acessibilidade nas novas. Não, meu caro, eu não quero voltar para a minha TV com seletor de canais giratório. Não quero de volta o meu primeiro celular nem a minha conexão de 56 k à Internet. Quero a minha banda larga, meu Smart Phone e minha TV de LCD com dispositivo USB e acesso à Internet via conexão wireless. Tudo que eu quero, também, é que esses equipamentos apresentem recursos que me permitam operá-los autonomamente. Só isso. E acho que essa deve ser nossa luta. A única coisa antiga que gosto é do disco de vinil, mas é só uma questão de sonoridade.

Enviado em 18/10/13 às 21h04

Osmar (osmar.roo@hotmail.com):

Eu penço que deveriam criar mas produtos acessiveo pra nois que samos defeiciéntes, e ter mas recurso para o trabalhos tambem mas acessibilidades es.

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Enrique Dias Escritor brasileiro, radicado nos EUA, tem 48 anos. Estudava arquitetura e aos 22 anos perde a visão. Após várias cirurgias recupera entre 5% e 10% da visão. Família, meio-ambiente, cidadania, ciência e futebol, são seus temas favoritos. Saiba mais em minha páginaSite externo.. Também estou no Twitter @enriquediasSite externo.

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