“Levanta” e “Anda”
O fato de estar em uma cadeira de rodas não nos dá o direito de reclamar da vida. Não estou dizendo que é fácil viver com uma lesão medular, porém, se é necessário ter a tão falada qualidade de vida, ficar apenas lamentando não trará melhoras nesse sentido.
Parafraseando a Deputada Mara Gabrilli
: Não posso negar que sou um privilegiado pelo acesso e estrutura que disponho para ser um Leandro ativo, produtivo, feliz e tetraplégico, sendo esta última característica a que menos identifica o meu espírito, que é livre e sem nenhuma paralisia. Essa liberdade, ainda inatingível para milhões de outros brasileiros, só é possível por conta de recursos tecnológicos e humanos que anulam meu impedimento motor.
O termo qualidade de vida, de fato, tem sido muito utilizado ultimamente, mas não há consenso sobre sua definição. A qualidade de vida não está à venda como se fosse um item da moda ou de um supermercado, também não a conseguimos adquirir de um dia para o outro.
Não generalizando, mas estamos mal acostumados com privilégios, benefícios, cotas, etc. É claro que devemos ter, usufruir e lutar por muitos outros direitos para que as diferenças e a exclusão das minorias (inerente à sociedade em que vivemos) diminuam. Porém, temos a tendência de achar que, por estarmos em uma cadeira de rodas, tudo tem que vir até nós, literalmente esperando sentados que as coisas aconteçam e adiando as coisas boas da vida. Como se fosse possível pausar a vida e só apertar o “PLAY” quando a reabilitação plena acontecer. A vida tem algo de “aqui e agora”, e algo que poderíamos chamar de “planejar o futuro”.
Sabemos que boa parte das coisas que estão ligadas à qualidade de vida da pessoa com deficiência tem custos elevados, porém a vida não faz promessas de como será o nosso caminho, devemos perseguir nossos próprios ideais e lutar para atingi-los e aproveitar as oportunidades que a vida nos oferece, mesmo que sejam poucas. Afinal, quando nos acomodamos não apenas deixamos de “caminhar” adiante, como também corremos o risco de perder muito do que já foi conquistado.
A questão central é que precisamos fazer alguma coisa, “não deixar para amanhã tudo aquilo que gostaria de fazer, posso fazer e tenho condições de fazer hoje”, “levantar” a bunda da cadeira e “correr” atrás dos nossos desejos!





Comentários
Enviado em 10/05/12 às 15h47
Fiamma:
Voce é um grande homem, continue lutando!És um exemplo de vida. beijos
Enviado em 10/05/12 às 15h54
Rose Rj (rose.2011rj@gmail.com):
Parabéns por sua força e coragem,um grande exemplo,Eu sofri um acidente de carro há 28 anos e fiquei tetraplégica aos 19 anos,aqui estou eu....Abraço.Rose.
Enviado em 10/05/12 às 18h03
Roseane (roseane_merces@live.com):
Sempre acreditei e lutei pelo meus sonhos hoje, acredito que não devemos deixar para amanhã o que podemos fazer hoje....fico feliz em saber que você tem essa força de vontade que te impulsionar na busca de conquistarseus sonhos que DEUs te fortaleça cada dia mais nessa caminhada.
Enviado em 10/05/12 às 21h01
Paula (reab.paula@gmail.com):
Adorei o texto! Parabéns!
Enviado em 03/09/12 às 07h13
Eduardo Jorge (tetraplegicos@gmail.com):
Leandro, escreves: "Não generalizando, mas estamos mal acostumados com privilégios, benefícios, cotas, etc."
Privilégios? Podias-me referir um desses privilégios? Fiquei curioso e não queria opinar sem estar elucidado.
Quanto à definição de qualidade de vida no 3º parágrafo escreves que não está à venda, mas no penúltimo escreves: "Sabemos que boa parte das coisas que estão ligadas à qualidade de vida da pessoa com deficiência tem custos elevados..." Leandro, são essas coisas que muitos não têm e afinal podem ser compradas. Acho que te referes por exemplo a uma cadeira de rodas adequada ás necessidades de cada um, certo? Para mim isso é um pouquinho de qualidade de vida e como vês pode-se comprar, para isso basta ter capacidade financeira que é o que a maioria de nós não tem.Pelo menos em Portugal. No Brasil pelo que entendi têm alguns privilégios. Aqui direitos e nem sempre cumpridos.
Leandro, fico feliz que tu e a Mara sejam uns privilegiados, talvez por isso não reclamem tanto como a maioria, ai está a diferença. Para a maioria o problema é o que nos rodeia e não a deficiência em si.
Concordo contigo quando escreves que muitos poderiam fazer mais, lutar mais, agir mais...
Fica bem
Enviado em 09/12/12 às 00h21
Ana Maria Alvares Gavazzi (alvares.gavazzi@gmail.com):
parabéns o texto é lindo,te admiro mto.