Sinais e sabores da inclusão

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As panelas batem, o liquidificador trabalha para que algo seja triturado, a frigideira aquece para dourar o alho e a cebola, os ovos são quebrados, o fogo levanta para flambar… Os talheres se cruzam, o forno é aquecido, a cozinheira corre para não queimar o arroz. A cozinha tem sons como uma orquestra, cujo maestro é o chefe, encarregado da harmonia de sabores. Mas, em alguns casos, este ritual pode acontecer de maneira mais silenciosa e pouco deste barulho se torna claramente audível aos ouvidos de quem comanda a receita. Uma receita de sensações, de gestos, onde a comunicação é feita por sinais.

Recentemente, em comemoração ao Dia do Fonoaudiólogo, a PUC –SP promoveu o evento “Linguagem e o Chef de Cozinha Surdo”, um encontro com profissionais da área da gastronomia e estudantes da área de fonoaudiologia, que discutiram a linguagem dos surdos e a inclusão destas pessoas na área gastronômica. O final da noite ficou por conta do chef surdo Phelipe Diaféria, que serviu um delicioso prato aos presentes.

Ao ter conhecimento sobre o evento, pensei nas diversas formas de se inserir o surdo no mercado de trabalho, mas a cozinha, além de uma oportunidade de emprego para quem gosta do ramo, é um ambiente perfeito para estimular o intercâmbio de línguas e culturas entre surdos e ouvintes.

É neste tipo de atividade onde podemos explorar de maneira lúdica e divertida a Língua Portuguesa, proveniente das receitas, a Libras, que é a língua brasileira de sinais e, claro, a linguagem de gestos, proposta por símbolos de conhecimento universal, muitas vezes, criados por meio da convivência em um ambiente de trabalho coletivo. É uma verdadeira aula de linguística, com direito a todos os signos!

A cozinha é um ambiente democrático, mas ainda pouco inclusivo. É preciso saber usar todo o seu poder de integração. A receita, por exemplo, é um texto de gênero popular, sua linguagem faz parte do cotidiano das pessoas e pode muito bem ser usada como um recurso de interação social. Contemplando diferentes tipos de linguagem, a leitura e a escrita são favorecidas, sem falar de noção de medidas, valor nutricional e conhecimentos culturais sobre a origem e uso dos alimentos.

Estimular a degustação de especiarias e propor oficinas gastronômicas são maneiras gostosas de se instigar outros sentidos, que contribuem para estimular diferentes sabores e saberes.

Aliás, estão aí dois ingredientes fundamentais em qualquer receita inclusiva: conhecimento e diversidade.

Você já pensou em experimentar?

  • Simone gonçalves

    Bom dia Mara Gabrilli….Esta lei vigorou á partir de quando e como procurar para receber esse Auxílio Inclusão.
    Gostaria de mais informções a respeito desse assunto, pois sou deficeinte…