Espetáculo de dança LEVE traz audiodescrição e libras, no Recife

Todas as sessões da temporada, que vai até 04 de maio, contarão com audiodescrição e intérprete de LIBRAS, levantando a discussão valiosa e urgente sobre a acessibilidade nas artes.

Publicada em 30 de março de 2012 - 14:30

Sombra de um casal dançando

A beleza de dançar para um público amplo, incluindo pessoas com deficiência visual e auditiva, presenças diversas, criando outras percepções e novos sentidos e sentimentos na troca com a plateia e também no corpo do bailarino. A nova temporada do premiado espetáculo de dança "LEVE", encenado pelas bailarinas Renata Muniz e Maria Agrelli, do Coletivo Lugar ComumSite externo., começa neste mês de março, no Hermilo Borba Filho, no Recife (PE)Site externo., com uma proposta inovadora. Todas as sessões da temporada, que vai até 04 de maio, contarão com audiodescrição e intérprete de LIBRAS, levantando a discussão valiosa e urgente sobre a acessibilidade nas artes, com um debate aberto a artistas, educadores e ao público em geral no final do percurso.

O projeto, aprovado pelo FUNCULTURA, teve início nesta quarta (28/03), começando com apresentações todas as quartas e quintas, às 19h, no Hermilo, até o dia 19 de abril. Em todas elas, haverá 30 equipamentos de audiodescrição, proporcionando a tradução intersemiótica do que está sendo visto em palavras que descrevem objetivamente os movimentos e a interpretação das meninas, luz, cenário, figurinos, tudo especialmente e poeticamente pensado para as pessoas com deficiência visual. Além de um intérprete de LIBRAS que ensaiou todo o texto falado e as letras das músicas junto com as bailarinas para integrar ao espetáculo a tradução simultânea na linguagem dos sinais. O trabalho de consultoria e desenvolvimento do projeto de acessibilidade é da VouVer, da atriz Andreza Nóbrega e da psicóloga Liliana Tavares, ambas consultoras em acessibilidade e audiodescritoras.

A agenda das apresentações inclui ainda os dias 25, 26, 27 e 28 de abril e 02, 03 e 04 de maio. Haverá oficinas de dança para pessoas com deficiência visual e auditiva e mais, no dia 06 de maio, no Centro Cultural Correios, o projeto se desdobra com a realização de um debate aberto, como parte da programação do Festival Palco Giratório, sobre a acessibilidade comunicacional nas artes, com a presença de Andreza Nóbrega, cuja dissertação de mestrado também está focada no tema.

"LEVE foi o primeiro espetáculo de dança em Pernambuco a contar com o recurso da audiodescrição, durante uma das apresentações do Palco Giratório, em 2010. Agora será o primeiro a realizar uma temporada inteira com esse pensamento que integra a arte e a acessibilidade comunicacional com audiodescrição e LIBRAS na concepção de cada uma das sessões", explica Andreza Nóbrega. Ela diz que em teatro já há mais iniciativas, mas em dança ainda são poucos os grupos que se concentram no debate. "Mas tudo isso vai mudando aos poucos. A orientação sobre a importância da acessibilidade ressaltada nos próprios editais, como é o caso do FUNCULTURA, tem feito os coletivos e artistas planejarem seus espetáculos com essa prioridade", completa Liliana Tavares.

"A audiodescrição em dança tem que dançar com o corpo no palco, porque é movimento", destaca Andreza com o brilho nos olhos de quem fala com paixão sobre a sua luta e suas conquistas. Para Liliana "é um processo muito rico. Cada obra é nova, cada trabalho é único, seja teatro, ópera, dança, cada espetáculo é único".

Nas sessões de LEVE, as pessoas com deficiência visual farão um tour tátil antes do início de cada espetáculo, complementando as informações percebidas e agregando ao que é ouvido as texturas, temperaturas, desenhos no espaço e outras informações do cenário e figurinos das bailarinas.

Para Maria Agrelli e Renata Muniz, a experiência tem dado a chance de perceber a criação a partir de novos olhares, além da emoção de ver o trabalho artístico tocar cada vez mais pessoas. "Durante a pesquisa de LEVE vimos que o último sentido que a gente perde quando morre é a audição e por isso no final, saímos do palco e a música continua tocando e fica ali, a música e o espaço, por muito tempo. Agora, pensando nas pessoas com deficiência auditiva, o nosso próprio universo ganha outras cores e outros sentidos", diz Maria Agrelli.

LEVE foi concebido e montado em 2009, reunindo jovens artistas recifenses em um espetáculo de dança que traz novos conceitos para a cena, promovendo a integração entre movimento, música, cenário e iluminação. É um espetáculo que proporciona ao público um ambiente poético e intimista, e comove por tratar de temas tão recorrentes à condição humana: a morte, as perdas, as saudades. As sensações de impotência, dor, raiva, angústia, vazio, alívio se mesclam nas cenas, desveladas pelos corpos das bailarinas e pela atmosfera criada para este trabalho. A montagem estreou nacionalmente em junho de 2009, com uma trajetória de sucesso e premiações, incluindo melhor espetáculo júri oficial e popular, trilha sonora, iluminação, cenografia e bailarina no Prêmio APACEPE de Teatro e Dança; a de 2010. Participou do Festival Palco Giratório circulando por 15 estados diferentes, foi visto em 33 cidades do Brasil. Desde sua estreia já foi assistido por mais de 5 mil pessoas.

LEVE - NOVA TEMPORADA
QUANDO: 28 E 29 DE MARÇO, 04, 05, 11, 12, 18, 19, 25, 26, 27 E 28 DE ABRIL, 02, 03 E 04 DE MAIO
ONDE: TEATRO HERMILO BORBA FILHo - Recife (PE)
QUANTO: R$ 5,00 (PREÇO ÚNICO)
Contatos: Assessoria de Comunicação: SILVINHA GÓES (81)3227.2406 / 8743.0443 : silviagoes@integrapernambuco.com.br

Fonte: http://www.rinam.com.brSite externo.

Comentários

Nenhum comentário encontrado.

Contribua com seu comentário!

©2014 Espiral Interativa. O conteúdo produzido por colunistas e blogueiros, bem como os comentários de leitores publicados no Vida Mais Livre, não refletem a opinião da redação do portal.