Brasileiro quer criar o Google Street View dos cadeirantes

Ideia pode ganhar patrocínio do próprio Google. Membros da AACD irão percorrer São Paulo para fotografar e mapear as calçadas da cidade.

Publicada em 29 de outubro de 2012 - 14:30

Símbolo de acessibilidade

A vida de um cadeirante não é fácil. Apesar dessa afirmação ser verdadeira, ela não passa de uma suposição quando vinda da boca de um não-cadeirante. Só dá pra imaginar as dificuldades de locomoção que alguém nessas condições enfrenta todo dia, se sentirmos na pele esse desafio. Entender e se sensibilizar com o problema implica em assumir a perspectiva de um cadeirante, e é exatamente isso que o Acessibility View propõe.

O objetivo é mapear São PauloSite externo. do ponto de vista da acessibilidade. Mostrar os pontos mais críticos, as rotas mais viáveis e tudo mais que possa facilitar a vida da pessoa com deficiência física. “O Accessibility View vai funcionar como um Google Street ViewSite externo. das calçadas”, explica Eduardo Battiston o homem por trás da ideia. Para realizar esse mapeamento, Eduardo quer pegar um grupo de membros da Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD)Site externo., equipá-los com câmeras fotográficas e mandar essa turma pra rua, pra tirar fotos panorâmicas como as do próprio Street View.

A ideia é uma das finalistas do Creative Sandbox, o programa do Google que vai patrocinar uma grande ideia brasileira que utilize pelo menos um produto da empresa em prol de um mundo melhor. A iniciativa vencedora será anunciada dia 5 de dezembro e receberá R$ 35 mil para ser colocada em prática. O Acessibility View será um processo colaborativo e que, aos poucos, vai colocando a questão da acessibilidade no centro do debate público. Em tempos de eleição, essa necessidade fica ainda mais escancarada, “até porque a maior parte das pessoas com dificuldades de locomoção acabam não votando, pelo próprio problema de acessibilidade nas zonas eleitorais”, como bem lembrou Eduardo nessa conversa com a GALILEU.

Assista ao vídeo de divulgação do Acessibility ViewSite externo. e, abaixo, confira entrevista com Eduardo Battiston.

O que te inspirou a criar o Acessbility View?

Eduardo Battiston: Sempre fui muito sensível em relação ao problema da acessibilidade, principalmente depois de conhecer a realidade das crianças da AACD. Em 2009 tive o prazer de fazer junto com eles um projeto muito bonito: o Unique Types, no qual convidamos designers do mundo inteiro para criar tipografias inspiradas nas crianças atendidas pela entidade.

Se você tivesse que explicar como o Acessibility View funciona na prática, para alguém que nunca ouviu falar dele: o que você diria?

Eduardo Battiston:  A ideia é ajudar os cadeirantes a escolherem as melhores rotas para seus trajetos e, também, sensibilizar as autoridades para fazer a manutenção e as adaptações necessárias. Afinal, ajudar essas pessoas a se locomoverem pelas cidades ajuda na sua inserção na sociedade e, por que não, no mercado de trabalho.

O objetivo do Acessibility View é fazer as pessoas sentirem na pele como é difcíl para um cadeirante se locomover por conta própria?

Eduardo Battiston: Esse é apenas um dos objetivos. O objetivo principal é ajudar as pessoas com deficiências a se locomoverem com maior facilidade, levando em conta os obstáculos – muitas vezes intransponíveis – que seus trajetos apresentam. Mas claro que, ao acessar o Accessibility View, uma pessoa sem necessidades especiais vai poder ver – em primeira pessoa – como cada pequeno obstáculo pode impactar a qualidade de vida de um cadeirante.

Existe algum tipo de obstáculo que a maioria das pessoas nem se dá conta de que atrapalha a movimentação de um cadeirante? Estamos condicionados a pensar que uma rampa basta. É só isso mesmo?

Eduardo Battiston: Amigos cadeirantes reclamam bastante da quantidade de buracos das calçadas e da falta de padronização das mesmas. Além disso, as rampas – quando existem – muitas vezes contam com uma inclinação exagerada, o que impossibilita o acesso dos cadeirantes sem a ajuda de terceiros.

Você mora em São Paulo, certo? Qual a pior região, o pior trecho para um cadeirante aqui?

Eduardo Battiston: Sou paulistano e atualmente moro em São Paulo. Se nos bairros mais centrais a manutenção das calçadas já deixa bastante a desejar, imagine nas periferias onde a própria topografia muitas vezes não favorece a mobilidade. Mesmo nos bairros mais urbanizados, temos problemas como faixas de pedestres esburacadas, calçadas inclinadas e rampas defeituosas. Acredito que a acessibilidade na nossa cidade melhorou muito nos últimos anos, mas ainda temos muito trabalho nessa área. Espero que essa ideia possa contribuir para que a cidade seja cada vez mais acessível, proporcionando lazer, educação, cultura e diversão para as milhares de pessoas com necessidades especiais.

E, certamente, vou precisar da ajuda de parceiros para que essa ideia saia do papel e vire realidade. Já tenho apoio do representante brasileiro das câmeras GoPro que vai fornecer todo equipamento de filmagem necessário para o mapeamento do Accessibility View. Agora espero que a ideia possa ganhar o concurso do Google (estamos entre os 10 finalistas do Google Sandbox Brasil) para que esse apoio de peso atraia outras empresas para ajudar a viabilizar o projeto.

Existe alguma cidade que seja modelo de acessibilidade?

Eduardo Battiston: No mundo temos Toronto e Berlim como alguns exemplos de acessibilidade. Mas, em geral, todas as capitais europeias dão um baile nesse quesito na maioria das nossas cidades. Não sou nenhum expert no assunto, mas sei que Curitiba e Uberlândia talvez sejam as cidades mais avançadas do Brasil na mobilidade das pessoas com necessidades especiais.

Em época de eleição, como você acha que o assunto da acessibilidade foi tratado? Quais foram os acertos e os equívocos durante a campanha e as expectativas que você nutre para o futuro?

Eduardo Battiston: Pelo menos aqui em São Paulo não vi o tema sendo abordado. Até porque a maior parte das pessoas com dificuldades de locomoção acabam não votando, pelo próprio problema de acessibilidade nas zonas eleitorais. Para o futuro, espero que não só as autoridades, mas também a iniciativa privada invistam para termos uma cidade melhor para pessoas com necessidades especiais. Projetos como o Accessibility View podem ajudar a colocar esse assunto na pauta nos próximos anos.

Fonte: http://revistagalileu.globo.comSite externo. (João Mello)

Comentários

Enviado em 29/10/12 às 17h26

donisette (donisettesoares@r7.com):

Sou deficiente fisico e vejo o quanto é dificil se locomover nas cidades. Não a nas Prefeituras, um Departamento só para ouvir e tomar providencias, as necessidades dos deficientes de sua cidade. Poderia ser dirigido por deficientes que com certeza, tomaria todas as providencias no sentido de dar mobilidades a todos.Providencias até mesmo em enviar um tecnico nas repartições publicas,escola e comercio de sua cidade e fiscalizar se estão cumprindo o que manda a Lei, ou seja, rampas, banheiros, corremão e outros itens simples, mas que para nós muito util. Deveriamos ter em cada cidade, através das Prefeituras, um cadastro de todos os deficientes e suas necessidades, para dentro da lei, atendermos e encaminha-los. Muitos não sabem de seus direitos, tais como, isenção de impostos na aquisição de veiculos, extensivo ao seu parente mais próximo (tutela), de imposto de renda, de IPTU e por ai vai. Capacita-los a poder se enquadrar numa vaga de emprego e muitos outros programas direcionados aos deficientes. Fico a disposição para colaborar em tudo que for necessario, para termos mais mobilidade e viver com dignidade e igualdade.

Enviado em 29/10/12 às 18h16

Ricardo Delvechio (ricardodelvechio@hotmail.com):

Aqui onde moro em curitiba, é uma vergonha nos bairros, não existe calçadas e disputamos espaços com carros e caminhão em alta velocidade na ruas, no meu bairro tem varios cadeirantes e crianças com carrinho de Bebe tb passa pelo mesmo perigo, no centro de curitiba tb somente calçadas antigas de pedras, um perigo pq a roda dianteira da cadeira acaba enroscando. isso que é um problema do poder publico mais ninguem olha. agora com essas obras da copa estão deixando a cidade diferente, mais somente onde vai passar os turistas, onde esta a população que mais precisa de acessibilidade ninguem olha, candidatos para prefeitura prometem que vão resolver, mas é simplismente promessas politicas, vamos ver agora o atual prefeito que venceu as eleições o uqe vai fazer para a acessibilidade nos bairros.

Enviado em 05/11/12 às 19h48

Ualace (ualace10@oi.com.br):

oi sou Ualace Araújo Honorato, tenho 19 anos sou deficiente físico morro em Paraíba do Sul estado do Rio de Janeiro, eu amo futebol sou flamengo e eu queria participal futebol cadeirante isso e meu sonho mas só da minha cidade ate o Rio tão duas de viagem, eu queria trazer esse futebol para Paraíba do Sul ou me ajuda para eu ir no Rio de 15 a 15 dias para trenar, eu já fui lá duas vezes.
contrato ( 024 ) 2263-4953

Enviado em 05/12/12 às 14h20

gilberto jesus gois de moraes (gibajgmoraes@hotmail.com):

gostaria de receber tudo sobre acessibilidades sou cadeirante a 30 anos e queria receber informaçoes para serem aplicadas em nossa cidade passo fundo rio grande do sul sou presidente do partido patria livre de nossa cidade,desde ja agradeço grande abraço..obrigado

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