Aprovado no Samu, homem com deficiência não trabalha por erro em edital em MG

Foto de Miguel e sua esposa Fabíola
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Um homem com deficiência física aprovado no concurso do Samu Regional em Varginha (MG) está sem trabalhar por causa de um erro no edital. Miguel de Paulo Carvalho Pinto viu seu futuro se transformar em incerteza após entregar a carteira de trabalho para preencher o sistema de cotas, que previa 2 das 5 vagas para pessoas com deficiência.

Ele recebeu orientações e até fez o exame admissional e passou por uma semana de treinamentos para que pudesse assumir a função, procedimento comum a todos os candidatos. No entanto, quando a unidade de atendimento começou a funcionar, no início deste mês, Miguel foi o único a não ser chamado para assumir o cargo. Para sua esposa, Fabíola Sebastiana Kelly Silva, as limitações do marido não o atrapalhariam no serviço.

"Ele não tem coordenação motora fina, e nós acreditamos que ele poderia executar essa função de auxiliar administrativo, porque ele já trabalhou um ano e seis meses numa empresa de grande porte nessa função. O Miguel também já fez curso de auxiliar administrativo e é muito capacitado pra isso", disse.

Segundo ela, quando a unidade começou a funcionar, a carteira de trabalho do marido foi devolvida, mas o Samu até hoje não deu uma resposta por ele não ter sido chamado.

"Depois que teve a inauguração, nós voltamos lá pra perguntar. Eles pediram uma semana pra poder dar uma justificativa, uma resposta clara. Depois desse período, eles ligaram e simplesmente falaram que queriam devolver a carteira de trabalho dele", contou Fabíola.

Até mesmo o Conselho dos Direitos da Pessoa com Deficiência de Varginha enviou um ofício pedindo mais explicações, mas foi só quando o Ministério Público também pediu uma resposta, que a concessionária se pronunciou. Segundo o Consórcio Intermunicipal de Saúde da Macro Região do Sul de Minas (CISSUL), um erro teria sido identificado no edital. Somente uma das vagas deveria ter sido reservado às pessoas com deficiência.

Mesmo assim, Miguel foi o único inscrito nessa área. Segundo Marco Antônio Sales, advogado especialista em Direito do Trabalho, a melhor alternativa seria acertar a contratação o quanto antes, evitando também que outros profissionais sejam prejudicados.

"O melhor que se tem a fazer é integrá-lo ao trabalho. Caso contrário, em razão desse problema, pode-se até mesmo anular o concurso, o que seria muito mais grave, não só pelo custo, mas pelo número de pessoas que serão envolvidas e até mesmo prejudicadas pelo fato", explicou o advogado.

O Samu emitiu uma nota onde admite o erro e informou que uma comissão vai ser formada para estudar o caso. A nota diz ainda que, caso o Ministério Público exija a contratação de Miguel, a concessionária não vai se opor à decisão. Enquanto isso, a família só espera que uma solução aconteça o quanto antes. "Eu quero trabalhar", conclui Miguel.

Fonte: G1