Brasil busca topo no terceiro Parapan seguido e mira 28 ouros no Rio 2016

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Se manter no topo dos Jogos Parapan-Americanos pela terceira edição seguida, em agosto deste ano, em Toronto, e chegar entre os cinco primeiros das Paralimpíadas do Rio 2016. Estas são as metas traçadas pelo Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) para as duas competições. O Brasil terá no Canadá, entre 7 e 15 de agosto, uma delegação maior do que ao Pan de Guadalajara 2011.   

– São mais de 300 atletas, com uma delegação superior a 400 integrantes na Vila. Os atletas ainda estão se classificando para o Parapan em várias modalidades, pois todas elas têm um guia de qualificação. Nas modalidades coletivas a gente já se qualificou para todas. Agora, estamos vendo no atletismo, na natação e em outras com quantos atletas a gente vai em cada uma dessas modalidades individuais – disse o presidente Andrew Parsons ao site Brasil 2016. 

De acordo com Parsons, apesar e o Brasil já ter várias vagas garantidas para as Paralimpíadas, o Parapan será encarado como prioridade, já que está dentro das quatro metas da entidade. Duas já foram atingidas: o primeiro lugar em Guadalajara e o sétimo nos Jogos de Londres 2012. Além disso, o fato de muitas vagas para 2016 estarem em jogo e os anfitriões serem uma força no esporte paralímpico faz com que o Brasil encare a disputa com seriedade.  

– A manutenção do primeiro lugar no Parapan é uma meta técnica do Comitê Paralímpico Brasileiro. Então, apesar de já termos muitas vagas asseguradas para o Rio 2016, muitas vagas vão estar em jogo em Toronto e não podemos esquecer que os outros países lutarão para conquistar suas vagas para o Rio, o que, consequentemente, aumenta o nível da competição. Além disso, o Parapan será no Canadá, que é um país muito forte no esporte paralímpico e eles já nos avisaram que vêm com a delegação muito forte. Mas a gente vai para ganhar – disse Parsons.

A conclusão do Centro Paraolímpico Brasileiro anima o dirigente e atletas. A obra da instalação para atletas de alto rendimento de 14 modalidades está sendo finalizada em São Paulo, mas ainda não tem previsão para inauguração.  

– A obra está andando bastante bem. A gente tem acompanhado junto ao Governo do Estado de São Paulo e a Secretaria da Pessoa com Deficiência, que é quem gerencia a obra diretamente. A ideia é que a gente inaugure ainda neste ano, em data a ser definida pelos dois níveis de governo que estão investindo recursos, o Governo do Estado de São Paulo e o governo federal. A comunidade paraolímpica do Brasil está ansiosa por esse centro, pois se trata de um dos três melhores centros de treinamento paraolímpicos do mundo – disse Parsons. 

Mesmo sendo usado apenas no fim do ciclo olímpico, o CT pode ajudar o Brasil a alcançar o top 5 das Paralimpíadas, em setembro de 2016. Desde Pequim 2008, quando ficou em nono, o país vem subindo duas posições no quadro de medalhas – em Londres foi o sétimo com 43 medalhas, sendo 21 de ouro, 14 de prata e 8 de bronze. Andrew não estipula o número de ouros necessários para ficar entre os cinco do Rio 2016. Mas adiantou que se os atletas chegarem a 28 medalhas douradas já será um feito incrível.  

– Essa é uma meta que a gente tem dito que é possível, é factível, mas é difícil. Temos que superar os Estados Unidos e a Austrália, que são suas potências não só paralímpicas, mas no esporte em geral. A gente está tentando ganhar medalhas de ouro em provas que eles conseguem ganhar o ouro. Isso é o que, no futebol, a gente chama de jogo de seis pontos. Mas a gente tem feito o nosso trabalho junto com o Ministério do Esporte, junto com patrocinadores e outros níveis de governo que têm nos apoiado. Nosso plano é que a gente mantenha os resultados dessa geração que foi vitoriosa em Londres, com Daniel Dias, André Brasil, Terezinha Guilhermina, entre outros, e que consiga ampliar o resultado de alguns atletas, como, por exemplo, o Jovane Guissone, que foi medalhista de ouro na espada. A ideia é que a gente tente fazer com que ele ganhe também no florete – disse Parsons.

A nova geração de paratletas será fundamental para atingir a meta, de acordo com o presidente do CPB.    

– Temos uma geração que a gente chama de Pós-Londres, que é muito forte, com Verônica Hipólito (atletismo), Talisson Glock (natação), Roberto Alcalde (natação), que são nomes que ainda não são tão conhecidos nacionalmente, mas esses três que eu citei são medalhistas em Campeonatos Mundiais adultos e o mais velho deles tem 20 anos. Vamos tentar também fazer com que velocistas que ganharam medalhas de ouro nos 100m consigam ganhar no 100m e 200m – disse.

Além disso também há o crescimento de atletas de outras modalidades, como Bruna Alexandre, do tênis de mesa, e de esportes que vão estrear no Rio 2016, como o triatlo e a paracanoagem, na qual Fernando Fernandes é campeão mundial. Para o dirigente, uma Paralimpíada no Brasil é uma oportunidade de afirmação do esporte de alto rendimento no país. – Os Jogos Paraolímpicos no Rio representam para o esporte paraolímpico uma oportunidade única de afirmação, de mostrar as modalidades para o público brasileiro e de fazer com que ele entenda que se trata de alto rendimento. Vejo que todos estão abraçando isso como uma oportunidade e não como algo que traga uma responsabilidade a mais, pois responsabilidade eles já têm dentro da pista, da quadras, das piscinas, e lidam muito bem.

Fonte: Globo Esporte