Com transporte gratuito, cadeirante retoma tratamento após cinco anos

Foto de Cáren em Curitiba
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Impossibilitada de andar longas distâncias e com dores frequentes, a cadeirante Cáren Pereira Fischer, de 36 anos, viu o tratamento evoluir depois que conseguiu ingressar em um programa municipal de Curitiba que a leva para consultas médicas e para sessões de fisioterapia.

Ter como fazer esse deslocamento representa uma injeção de ânimo e faz com que Cáren tente novamente construir uma vida profissional. “Abre o horizonte da gente. Tendo melhor qualidade de saúde você consegue acreditar que pode melhorar”, comentou.

Aos dois meses de idade, Cáren foi diagnosticada com poliomielite. A doença, também conhecida como paralisia infantil, por si só, já acarreta em problemas motores. Todavia, a situação de Cárem ficou ainda mais delicada com a descoberta tardia de uma hidrocefalia, que é o acúmulo de líquido no cérebro.

Normalmente, a doença provoca inchaço na cabeça do bebê, entretanto, isso não ocorreu com Cáren. Ela sentia fortes dores de cabeça, e a doença foi descoberta quando a curitibana tinha 30 anos.

"Os médicos ficaram surpresos de eu não ter tido nenhum problema, comprometimento cognitivo", disse.

Dentro de casa, Cáren consegue se mover, mas, para sair, a dificuldade aumenta, e ela precisa de cadeira de rodas.

“Dentro de casa eu consigo me locomover apoiando-me na mobília porque eu conheço onde fica cada coisa. Vou me virando, tomo banho sozinha… Essas coisa eu consigo fazer, com um pouco mais de dificuldade, mas consigo fazer”.

Com dificuldade financeira e com a mãe com diversos problemas de saúde, Cáren precisou suspender o tratamento de fisioterapia por cinco anos sem fisioterapia, acentuando os problemas motores e também as dores musculares. Como a prefeitura só dava o transporte para as consultas médicas, o tratamento físico ficou comprometido.

“Nem em casa eu estava conseguindo me mover porque tinha muita dificuldade, muita dor”, lembrou Caren.

A volta às sessões de fisioterapia ocorreu em 2013, quando começou o Programa Acesso, da Prefeitura de Curitiba.
Semanalmente, um micro-ônibus pega Cáren em casa, a leva para a clínica e depois a deixa em casa. O mesmo ocorre para o acompanhamento neurológico e ortopédico, que se dá por meio de consultas agendadas a cada quatro meses.

“Antes era só atendimento médico mesmo [que a prefeitura proporcionava], e fisioterapia nem pensar. Uma vez por semana já ajuda e nós temos orientação para fazer alguns exercícios em casa. E outra situação quando você é orientado”.
Cáren avalia que a abrangência do programa deve ser maior porque, de acordo com ela, não tem atendido toda a demanda. Além disso, ela comenta que até por haver poucos ônibus, às vezes, é necessário trocar horário de consultas. Nada disso, todavia, na visão dela, compromete o benefício que o programa proporciona para as pessoas que necessitam de ajudar.

O futuro
Dia a dia, Caren sente as dores diminuírem e vai ganhando um pouco mais de autonomia para se locomover em casa. Isso faz com que ela volte a acreditar no sonho de ser advogada, que por um tempo ficou em segundo plano.

No ano retrasado, Caren conseguiu uma bolsa de 50% para cursar Direito. O desconto, porém, não foi suficiente e ela não pode arcar. Agora, ela que fazer um curso preparatório para o vestibular. Caso não seja possível fazer a faculdade de Direito, ela já tem segunda opção: Ciências Sociais.

Ela ainda deixa uma sugestão para os agentes políticos. Cáren acredita que a iniciativa deveria ser estendida para a área de educação e, desta forma, proporcionar o deslocamento dos cadeirantes adultos para escolas, cursos e universidades.

“Isso seria para o deficiente acreditar que ele pode melhorar na saúde e que pode expandir o seu conhecimento, ter uma profissão”.

O programa
De acordo com a Prefeitura de Curitiba, nestes dois anos do Programa Acesso, foram realizados 14 mil atendimentos com 746 usuários cadastrados. Cada um dos nove ônibus do programa atende, em média, cem usuários por mês.

Fonte: G1