Apenas 20% das vagas de pessoas com deficiência estão preenchidas em Araraquara, SP

Foto de um currículo em fundo amarelo
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Uma pesquisa apontou que das cerca de quatro mil vagas destinadas a pessoas com algum tipo de deficiência em Araraquara (SP), apenas pouco mais de 20% estão ocupadas. O principal motivo, de acordo com os empresários, é a falta de escolaridade e capacitação. Já os trabalhadores afirmam que os baixos salários é um motivo que afasta os profissionais, que preferem ficar com o benefício de um salário mínimo pago pelo governo. As empresas que descumprirem a lei podem ser multadas e o valor varia de acordo com a quantidade de funcionários que deveriam estar trabalhando.

Pela Lei de Cotas, criada há 20 anos, todas as empresas com mais de 100 funcionários precisa ter, no mínimo, 2% de trabalhadores deficientes. Só em Araraquara, são 135 empresas oferecendo 4.130 vagas, mas apenas 930 estão ocupadas.

De acordo com Cesar Augusto Ferreira, vice-presidente da União dos Deficientes Físicos de Araraquara (Udefa), muitas empresas não contratam porque o candidato tem baixa escolaridade ou não está preparado para a função. Ferreira afirma que a primeira dificuldade é a falta de transporte adequado para buscar uma qualificação.

“Existe também a dificuldade da acessibilidade dentro das empresas e sendo uma metalurgia ou algo nesse sentido eles acham que as pessoas vão ter mais dificuldades de aprender por causa da dificuldade de se locomover dentro da própria empresa. Geralmente os cargos à disposição são cargos inferiores. Não são as melhores posições nas empresas. Então geralmente os pisos são baixos”, explicou.

Trabalhadores
O recepcionista Cláudio Belém da Silva trabalha em um estacionamento em Araraquara, sem carteira assinada. Ele afirma que este foi o único emprego que conseguiu nos últimos dois anos. “Distribuí 20 currículos dentro da cidade de Araraquara e não tive oportunidade de emprego porque onde eu ia a porta batia na minha cara. Não é porque sou deficiente físico que não estou apto para trabalhar”, contou.

O inspetor Cléber Borges de Souza tem uma deficiência no pé e trabalha há 10 anos em uma universidade. A função dele é ficar de olho em tudo o que ocorre no local. “Eu troco cadeiras quebradas. Quando precisa de manutenção eu peço para a equipe fazer os reparos. Também fico de olho nos alunos para ver se não estão quebrando algo ou bagunçando”, comentou.

A analista de recursos humanos da faculdade, Jussara Gimenez Borges, explica que a instituição procura preencher os cargos de acordo com a deficiência e capacitação do funcionário. “Primeiro a gente analisa qual a deficiência da pessoa com o perfil da vaga. Por exemplo, eu não posso colocar uma pessoa que tenha uma prótese de quadril para subir escadas o tempo todo”, apontou.

Na empresa trabalham aproximadamente 900 pessoas, das quais 40 são deficientes. “Desde o professor universitário até o inspetor de alunos, temos pessoas assim no setor de compras, na biblioteca, nas secretarias”, disse.

Julielza Lima Batista tem 22 anos e nunca tinha trabalhado. Depois de terminar o segundo grau há seis meses conseguiu um emprego em uma indústria têxtil. Ela não teve dificuldades em aprender o trabalho, mesmo com uma deficiência em uma das mãos. “Desde o professor universitário até o inspetor de alunos, temos pessoas assim no setor de compras, na biblioteca, nas secretarias”, explicou.

Dos cinco mil funcionários da indústria, 196 são deficientes e o gerente Carlos Alberto Gonçalves quer contratar mais 14. “Criando esse espaço você dá condição de eles desenvolverem uma atividade, ingressarem no mercado de trabalho, ter no futuro os benefícios que a empresa fornece. Você dá uma qualidade de vida boa para eles”, justificou.

Fonte: G1