Mãe volta à faculdade 30 anos depois para ajudar filha com deficiência

Foto de Mônica com a filha Camila sorrindo
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Olhar profundo, postura que passa segurança e uma fala mansa. Mônica Moreira de Carvalho é figura de destaque no segundo ano do curso de Engenharia Civil da Associação Educacional Dom Bosco, em Resende, no Sul do Rio de Janeiro.

Formada em engenharia química há 30 anos, ela voltou à faculdade aos 52 anos para acompanhar a filha, de 20 anos. Camila é deficiente motora por causa de uma paralisia cerebral, após complicações no parto, e precisa de que alguém escreva para ela.

"Até o Ensino Médio, eu tinha 100% de conhecimento para dar um suporte a ela. Num curso superior eu não conseguiria mais acompanhar, porque as matérias são mais específicas", explicou. Como já é formada, não precisou passar por nenhum vestibular. Fez a matrícula, pediu dispensa das matérias que já havia cursado na primeira graduação e embarcou no desejo da filha.

"Comecei a ir à aula, mas pensei: ia assistir às aulas por cinco anos e não ia me formar? Vou ser engenheira 'café com leite'? Não, não", brincou.

É comum passar pelos corredores do curso e vê-las sempre envolvidas em uma boa conversa, seja com alunos ou com os funcionários da faculdade.

"A gente é super integrada na turma. É bastante divertido. É gostoso. É um contato que há muito tempo eu não tenho. Como o curso é à noite, tem muita variação de idade, mas eu sou a sênior da turma", conta, aos risos.

E se dão muito bem juntas. "Eu sempre estudei com ela em casa. Então, pra mim, é a mesma coisa", contou Camila.

Até onde vai a dedicação de uma mãe? Mônica, que ajuda a filha a realizar um sonho, não conhece esse limite. A receita? Paciência, disciplina e amor. "O que me motiva é ela. É por ela que eu tô lá. Se ela não estivesse, provavelmente eu não estaria. Se vou exercer, eu não sei. Vou lá, escrevo, faço um caderninho bonitinho pra ela", contou.

Vida por elas
Mônica ficou viúva quando estava grávida de quatro meses da segunda filha, Maria, que hoje tem 17 anos. Voltou para casa dos pais, retomou o trabalho e precisou de ajuda para criar as duas meninas. Há sete anos, decidiu abandonar a profissão e se dedicar apenas às filhas.

"Trabalhava o dia inteiro. Eu parei e decidi: tenho que ser mãe, um pouco. Hoje eu cuido da minha casa, cuido da gente", disse. Ela, que perdeu o pai há três anos e a mãe no ano passado, se orgulha da vida que leva e não esconde: "As rugas que eu tenho contam a minha história".

Fonte: G1