Após percorrer 8 mil Km a pé, ‘Zé do Pedal’ chega a Petrópolis, no RJ

Foto de Zé do Pedal e sua cadeira de rodas
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Depois de percorrer 8 mil quilômetros, dos 10.700 que fará a pé e empurrando uma cadeira de rodas, já está em Petrópolis, na Região Serrana do Rio, o fotógrafo mineiro José Geraldo de Souza, de 57 anos, mais conhecido como 'Zé do Pedal'. Ele chegou na noite desta sexta-feira (22) no distrito de Itaipava, mas sua “Cruzada pela Acessibilidade” começou em fevereiro do ano passado, em Uiramutá, em Roraima.

Desde então ele percorre os extremos do país com o intuito de chamar a atenção para a acessibilidade. Mas a viagem desse ativista de Viçosa, na Zona da Mata de Minas Gerais, ainda está longe de seu destino final, no Chuí, no RS.

Acompanhado somente da cadeira, que ganhou uma adaptação para carregar seus pertences, ele vai visitar 327 cidades de 20 estados. Zé já passou por 14 deles, além do Distrito Federal, e nesta semana chegou ao 15ª, no Rio de Janeiro. Na última quarta-feira (20) ele saiu de Juiz de Fora, em Minas Gerais, e antes de chegar à Itaipava fez paradas em Comendador Levy Gasparian e Três Rios, incluindo mais 110 quilômetros de percurso. De Petrópolis, ele segue para a capital carioca e depois São Paulo, levando a bandeira da acessibilidade para pessoas com deficiência.

E os problemas apontados na causa do ativista são notados e vividos no próprio trajeto, mas que para ele são válidos pelo objetivo do projeto.

“É uma experiência maravilhosa. Os momentos mais pesados são nos lugares que não têm acostamento e quando está chovendo, que aumenta a tensão, pois quando chove não escutamos o barulho dos carros. Mas fico muito feliz de saber que as pessoas estão reconhecendo esse trabalho que tem a intenção de fomentar a discussão saudável sobre a acessibilidade, a falta dela para essas pessoas”, pontuou.

Solidariedade
Nessa caminhada solitária, o mineiro vem contando com ajuda de muitas pessoas que aprovam a iniciativa. Nas paradas de descanso, ele monta sua barraca de dormir em postos de gasolina e debaixo de pontes, quando não consegue hospedagem gratuita em hotéis. Por dia, Zé caminha uma média de 50 quilômetros, o que dá cerca de 12 horas só percorrendo "as ruas desse mundão", como costuma dizer.

“Eu procuro não caminhar mais que isso até para não ter um desgaste físico. Mas quando o corpo aguenta posso fazer mais, como já cheguei a fazer 70 quilômetros. Mas é uma viagem de solidariedade. Onde paro, muitas pessoas me ajudam e aprovam o projeto”, explica o ativista que já ganhou duas homenagens  – em Aracajú e Maceió.

Atenção às pessoas com deficiência
A ação do ativista tem como principal objetivo, além de chamar a atenção para a questão da acessibilidade, de propor a criação do Conselho da Pessoa com Deficiência nas cidades que ainda não têm, assim como uma proposta de projeto de Lei para ser aplicado nos municípios com normas de acessibilidade.

“Esse é meu foco, fazer as pessoas enxergarem a questão da acessibilidade no nosso país e as pessoas estão aderindo ao projeto, levantando essa bandeira que é muito importante. Onde passo vou às Câmaras de Vereadores e Prefeituras propor a criação do Conselho, que é muito importante”, comentou Zé do Pedal.

Como nasceu o projeto
A ideia de cruzar o país empurrando a cadeira de rodas nasceu em 2008, quando ele estava em outro projeto na Europa e viu a dificuldade de uma criança ao subir um degrau com sua cadeira de rodas.

“Eu fazia outro trabalho, para mostrar como crianças da África do Sul estão expostas à doenças como catarata e glaucoma, que afetam a visão, e me deparei com uma menina na cadeira de rodas que não conseguia subir um degrau de cinco centímetros. Isso me despertou e comecei a ver a dificuldade de acessibilidade no meu país, na minha rua e até mesmo na minha própria casa”, explicou.

A “Cruzada da Acessibilidade” começou exatamente no dia 10 de fevereiro de 2014 e a previsão é que Zé do Pedal chegue no Chuí no dia 23 de setembro, quando é comemorado o Dia da Pessoa com Deficiência.

Fonte: G1