Garoto surdo mobiliza moradores de BH em ação para voltar a ouvir e falar

Iniciativa, criada pela própria irmã, pretende arrecadar doações para a compra de um aparelho que ajuda o garoto Francisco a ouvir e falar.

Foto em preto e branco de Francisco, em close, de olhos fechados e com dois pássaros próximos ao rosto, em sinal de carinho.
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Há quem diga que a gargalhada de uma criança é música para os ouvidos, além de ser capaz de preencher com alegria os mais variados ambientes. Na casa do pequeno Francisco, de 7 anos, os dias se tornaram silenciosos e menos divertidos nas últimas semanas e, infelizmente, essa realidade deixou de existir. Morador de Belo Horizonte, o garoto nasceu surdo e depende do auxílio de um aparelho para ouvir e falar.

O equipamento quebrou no fim do mês passado e, desde então, ele não consegue mais se expressar com a mesma desenvoltura de antes. No entanto, nem tudo está perdido: a irmã dele criou uma campanha por meio das redes sociais para arrecadar dinheiro e tentar comprar o dispositivo, que custa R$ 26 mil.

A iniciativa da estudante de geografia Júlia Milanez, de 21 anos, tem mobilizado internautas de diferentes partes da Capital mineira. A página “Ajude o Pequeno Francisco” foi criada no dia 19 de maio e conta com pouco mais de mil curtidas. À Bhaz, a jovem contou, nesta quarta-feira (1), que o irmão precisa do aparelho o mais rápido possível para não perder os progressos que fez nos últimos anos. “O processo de adaptação pelo qual o Francisco passou para poder falar e se desenvolver é muito lento, já que ele nasceu sem escutar nada”, disse. “Se ele ficar sem esse aparelho vai perder os avanços que conquistou e retroceder no tratamento”, completou.

Sobre a deficiência

Quando nasceu, em 2008, Francisco foi diagnosticado com surdez profunda neurossensorial bilateral e, com 1 ano e 2 meses, passou por uma cirurgia em Bauru, São Paulo. Ele recebeu um implante coclear, capaz de estimular diretamente os nervos auditivos e provocar sensações sonoras. O sistema possui várias partes. A peça externa, presa à cabeça, é a mais frágil e precisa ser adaptada ao passo em que o menino cresce. O valor de cada manutenção pode chegar a mais de R$ 5 mil.

“O Francisco é independente e feliz quando está com o aparelho. Sem ele, fica isolado por não conseguir se comunicar como foi acostumado quando passou a ir para a escola”, disse Júlia. “Não temos condições para comprar outro aparelho. Esse que estragou conseguimos no SUS, mas vive dando problema”, explicou.

“Mandamos o aparelho para dar manutenção em São Paulo, mas não temos certeza de valores e o tempo que pode levar para ficar pronto. Então, decidi criar a campanha. Contamos com qualquer tipo de ajuda, seja financeira ou não. O que mais queremos é poder devolver a alegria de viver ao Francisco”, revela.

Libras

Júlia e Francisco moram com a mãe e o padastro, que são os responsáveis por levar o menino a consultas médicas e para a escola inclusiva. Ele também estuda Libras, a língua brasileira de sinais, mas ainda não domina as técnicas de conversação. Para se comunicar, enquanto está sem o dispositivo de audição, o garoto faz leitura labial.

Até a tarde desta quarta-feira (1), a campanha que busca financiar um novo aparelho auditivo para o Francisco conta com pouco mais de R$ 2 mil. Apesar do baixo valor arrecadado, até o momento, a irmã do garoto se mostra confiante. “É uma situação muito complicada, mas acreditamos que vai dar tudo certo”, diz a universitária.

“Nos ajude a voltar a ouvir a voz do Francisco, nos ajude a ver a criança maravilhosa, cheia de luz, alegre e esperta que ele é. Tenho certeza que Deus estará abençoando tanto a minha família, quanto vocês que estão fazendo o que podem para nos ajudar”, escreveu em um trecho do site de arrecadação. “Muito obrigada, do fundo do meu coração, vocês não tem noção da importância que isso é pra ele e pra nós”, relata em outra parte.

Fonte: Bhaz