Em Belford Roxo, Mapa Inclusivo cadastra PCDs para ações de cidadania

A ideia é usar as informações para orientar as pessoas com deficiência e formar parcerias dentro da cidade para promover a acessibilidade dessa população

Arte em fundo verde, com os símbolos das deficiências intelectual, visual, física e auditiva, em fundo verde
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Confira na íntegra a matéria publicada pelo Extra Digital:

Até os 7 anos, Ailton César Saturnino, hoje com 45, ficava preso dentro da sala de aula nos minutos mais aguardados por qualquer criança de sua idade: a hora do recreio. Ele era vetado de atividades externas por ser cadeirante. Vítima de poliomelite aos nove meses de vida, Ailton nunca andou.

Foi só aos 7 anos que um professor percebeu a sua angústia e passou a carregá-lo para todas as atividades fora de sala. “Ele me levava para o recreio e até para formar, antes da entrada”, lembra Ailton, que hoje é paratleta de badminton.

Para que histórias como a do paratleta não se repitam, a Prefeitura de Belford Roxo lançou o Mapa Inclusivo. No formulário completo com 40 perguntas online, pessoas com deficiência (PCDs) no município vão informar dados, como renda, tipo de deficiência, grau de escolaridade, bairro, tipos de dificuldade de mobilidade, entre outros.

A ideia é usar as informações para orientar as pessoas com deficiência e formar parcerias dentro da cidade para promover a acessibilidade de PCDs.

“Nós vamos auxiliar, por exemplo, estas pessoas a darem entrada em seu benefício, trabalhar em conjunto com as secretarias, de acordo com as respostas nos formulários”, explicou o secretário da Pessoa com Deficiência, Márcio Moto.

Uma das perguntas no formulário é “qual a dificuldade de acessibilidade que a pessoa com deficiência mais enfrenta em seu dia a dia’’. Para Ailton, os principais obstáculos são o transporte público e também a acessibilidade nas ruas.

“Sinto falta de rampas. Há calçadas que são inacessíveis. Há um mês, fui pegar o ônibus no ponto final, mas tive que esperar por uma hora o carro seguinte. Tudo porque o mecanismo para o acesso de cadeirante só estava funcionando no manual. Quase que perdi o outro ônibus, mas o despachante orientou o motorista como fazer. Quando você chega num lugar e não tem acessibilidade, vê que as pessoas não pensam em você”, conta Ailton.

O secretário garantiu que, ainda este semestre, a acessibilidade aos ônibus será verificada, por meio de uma parceria com a Secretaria de Mobilidade Urbana. Outra iniciativa será a “multa moral’’, uma notificação aplicada a comerciantes, ônibus e vans para conscientizá-los a se adequarem para receber pessoas com deficiência.

O link do Mapa Inclusivo estará disponível nas redes sociais da Prefeitura de Belford Roxo. O cadastro também poderá ser feito nos Centros de Referência de Assistência Social (Cras) do município, através do formulário físico.

Barbies com óculos escuros, próteses, na cadeira de rodas. Há dez anos, quando decidiu trabalhar com bonecas doadas e transformar em lúdico o que ia para o lixo, a artista plástica Antônia Portella criava a representatividade.”

Via carência muito grande nas lojas de bonecas negras e com deficiência. E a criança cria vínculos. Às vezes, uma boneca linda não representa ela em nada”, pontua Antônia, que também é educadora ambiental da Secretaria de Meio Ambiente. A ideia também é diminuir o consumo. As bonecas são doadas ou descartadas.

“As pessoas descartam bonecas e compram outras logo em seguida. Eu faço adaptação nas que estão quebradas e faço roupas e acessórios para elas com material reciclado.”

Fonte: Extra Digital