Modelo com deficiência física é destaque em Instagram de marca de roupas

Foto de Kelly Knox, que tem um braço amputado, é a mais vista na rede social da empresa

Montagem com duas fotos da modelo Kelly Knox, que é loira e é amputada do braço direito. Em uma das fotos, ela veste uma boina, uma malha amarela de manga comprida e uma saia com estampa de onça. Na outra imagem, está usando uma camiseta branca com a palavra royal e uma jaqueta e calça comprida na mesma cor laranja
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A modelo Kelly Knox, que nasceu com deficiência física em um dos braços, está se destacando no Instagram de uma marca de roupas da Irlanda. A foto de Knox, que tem um braço amputado, está com mais de 113 mil curtidas e é a mais vista na rede social da empresa. Além das curtidas, é possível ler diversos elogios à marca e também para a modelo. “Obrigada por dar o primeiro passo ao usar a foto de uma modelo com braço amputado, mostrando para outras marcas que não é preciso ter medo”, escreveu um usuário.

Nas redes sociais, a própria modelo agradeceu pela oportunidade ao compartilhar a foto da propaganda. “Vamos continuar atravessando as fronteiras, movendo montanhas e quebrando barreiras! Agradeço a marca por me aceitar e celebrar meu eu como modelo… e por incluir deficiência na sua agenda de diversidade. Todos os corpos merecem ser representados.

Em entrevista ao portal britânico “Metro UK”, Kelly conta que foi contatada por sua agência para participar da propaganda e é grata pelo trabalho que tem, mas não esperava que tivesse uma proporção tão grande. “A quantidade de mensagens que estou recebendo é irreal. Mensagens de atletas paralímpicos, mães de crianças com deficiência, jovens com baixa autoestima que querem ser modelos…. É por isso que estou fazendo isso.”

Segundo ela, todas as pessoas precisam de inspirações que mostrem que é possível realizar os próprios sonhos. “Beleza não é unidimensional. É hora de parar de aspirar pela perfeição e começar a apoiar e empoderar uns aos outros.”

Kelly nunca se viu com uma “parte do corpo faltando”, para ela o corpo vai muito além da aparência externa. “Desde que me lembro, sabia que era mais que um corpo, que minha alma possui toda a beleza, poder, sabedoria e magia.”

Entretanto, teve dificuldades no começo da carreira de modelo. “No início da minha carreira, lembro de ter visto um vídeo de uma modelo dizendo que ‘a New York Fashion Week preferia queimar do que ver um modelo com deficiência na passarela’. Eu não tinha ideia de que as pessoas tinham tanto medo de um corpo como o meu”, afirma.

“Toda vez que eu sentia vontade de desistir, essas palavras ecoavam em minha mente — eu queria provar que as pessoas com deficiência são bonitas, fortes, criativas, dignas, poderosas e merecedoras de representação. Estou determinada a mudar as percepções das pessoas sobre a deficiência. Trabalhei duro, física, mental e emocionalmente para chegar onde estou.”

Como primeira modelo com deficiência física a posar para a marca irlandesa, ela quer mostrar que, sim, é possível mudar esse “pensamento opressivo” que persiste dentro da indústria da moda e, em vez disso, começar a pensar sobre inclusividade. “Diversidade é o tempero da vida! Acredito que mostrar ao mundo que a beleza vem em diferentes formas, tamanhos, cores, habilidades, gêneros e idades pode ser muito libertador para as pessoas”, finaliza.

Fonte: Delas – iG