Mas, o que é incluir?

Compartilhe:

Tanto falo, ou falamos, em inclusão da pessoa com deficiência, mas o que é, na realidade, incluir? Sua escola pratica a inclusão? E na sua empresa, como a questão da inclusão é vista? Irei pedir licença a todos para me apropriar do neologismo greenwash usado pelos ambientalistas para nomear as práticas de responsabilidade ambiental enganosas praticadas pelas empresas e “criarei” o neologismo “inclusionwash”, definido por mim, como a prática promovida por empresas ou escolas que não passa de ação de marketing não vinculada à real condição de inclusão de seus funcionários ou alunos. Então, sua empresa ou escola pratica o “inclusionwash” ou a inclusão é de fato existente?

Afinal quem deve ser incluído? A inclusão não deve se restringir a apenas um segmento, mas sim a todos os grupos vulneráveis. A inclusão deve ser feita por todos e para todos. Para incluir é necessário conhecer, pois é justamente a falta de conhecimento que dá força à exclusão ou a inclusão excludente.

Mas, o que é Inclusão Social? A Inclusão Social é a capacidade de a sociedade mudar para receber, entender, respeitar e atender às necessidades do TODOS que dela fazem parte. Em uma sociedade inclusiva não importa de qual classe social, condição econômica, gênero, origem (geográfica, étnica, linguística, religiosa, educacional, etc), diferenças quanto sua aparência estética ou funcional, sua “limitação” sensorial, mental, física ou de qualquer outra natureza, sua orientação sexual, etc. E que fique bem claro, é a sociedade que deve adaptar-se e não a pessoa à sociedade. A inclusão pressupõe a participação de todos, por todos, para todos e com todos. Ela deve ser vivida e não apenas teorizada, só se aprende fazendo, algumas vezes errando, mas sempre tentando e tendo em mente o objetivo maior que é a construção de uma sociedade mais justa, igualitária, que conviva com a diversidade de forma natural, que confira autonomia, independência e empoderamento a todos seus membros. Quem limita o outro não é a deficiência, quem limita o outro é a sociedade.

Não há inclusão se não houver transformação e não há inclusão verdadeira e plena se a transformação não for contínua, consciente e concreta. Incluir é respeitar o outro, é um eterno transformar, é o respeito ao modo e tempo de aprendizagem do aluno, é a educação de qualidade para TODOS os alunos, é aprender e frequentar a escola mais próxima de sua casa. O aluno com deficiência pode não aprender, mas que fique bem claro, isso não ocorrerá por sua incapacidade de aprender e sim pela incapacidade da escola ensinar, pela falta de respeito ao modo, tempo e forma de aprendizagem individual do aluno.

Para que a inclusão seja verdadeira precisamos nos desapegar da visão de incapacidade do sujeito com deficiência, da visão de limite que impomos ao outro, mesmo que inconscientemente. Precisamos entender que características físicas ou genéticas não resumem o seu Ser. Não podemos mais ver as pessoas com deficiência como indivíduos que precisam de algo, mas sim como sujeitos que precisamos para….