As irmãs que a vida me deu

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Em meu último texto, escrevi sobre o meu irmão. Agora, quero compartilhar com vocês a história das minhas amigas irmãs, aquelas que não têm o meu sangue.

Na verdade, nós formamos um quarteto fantástico, onde minha deficiência nunca foi impedimento para vivermos uma infância de meninas sapecas, uma adolescência cheia de festas e uma vida adulta onde cada uma segue seus próprios sonhos.

Mari é a primeira amiga que passou por todas as fases da vida minha vida – da chegada do meu irmão à formatura da minha primeira graduação. Ela estava comigo até mesmo na recuperação da minha cirurgia plástica. Hoje, continuamos morando muito próximas. E, graças a esse privilégio, eu posso ficar sozinha em São Paulo enquanto a minha família viaja. Sei que, se eu cair ou precisar de algo, Mari chega em dois minutos.

Confesso que foi a Mari também, apaixonada por exercícios e academia, a inspiração e base para que eu pudesse escolher um profissional e o local para intensificar meus treinos de musculação adaptada. Há dias em que ela passa em minha casa e vamos a pé à academia. Com isso, minha rotina fitness acabou também se tornando um momento de lazer.

Já a Ca, que também tem uma deficiência física, está comigo desde criança enfrentando e superando as barreiras. Passamos juntas pelas mudanças de escola, as cirurgias, as dores no joelho e a falta de acessibilidade do nosso país. Tenho certeza que muitas dessas situações foram amenizadas por ter uma amiga ao meu lado. Alguém que entendia exatamente o que o que eu passava, ou melhor, o que eu passo. É muito bom ainda hoje poder ligar para ela e trocar figurinhas, alegrias e frustrações sobre o mundo da mulher com deficiência.

Tem também a Ju que, desde pequenininha, foi a amiga que nunca enxergou a minha deficiência como algo a ser cuidado. Na escola, se tinha futebol na educação física, nós jogávamos juntas. Se tinha que bater em algum moleque folgado, nós batíamos juntas – e tomávamos advertência juntas! Tenho certeza que foi por conta dessas experiências mais corajosas com a Júlia que consegui encarar a separação dos meus pais de uma forma mais amena.

Enfim, eu só tenho a agradecer por elas serem o melhor presente que a vida me deu!