A compreensão e definição de valores inclusivos

Pode parecer óbvio dizer que um programa de inclusão deve ser regido por valores inclusivos, mas percebemos que, com o tempo e um pouco de prática, não é bem assim que acontece.

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Pode parecer óbvio dizer que um programa de inclusão deve ser regido por valores inclusivos, mas percebemos que, com o tempo e um pouco de prática, não é bem assim que acontece. A verdade, mesmo que nem sempre dita, é que muitos programas de inclusão falham por conta disso.

Nelson Rodrigues dizia que só os profetas enxergam o óbvio. Para Clarice Lispector, o óbvio é a verdade mais difícil de enxergar. Indo um pouco além, do outro lado do oceano, o libanês Khalil Gibran dizia que o óbvio é aquilo que nunca é visto até que alguém manifeste com simplicidade. É óbvio que todos estavam certos!

Então vamos simplificar: por que os programas falham? Responda você conforme as alternativas abaixo:

Porque os valores inclusivos:
(a) não são definidos corretamente;
(b) não são compreendidos corretamente;
(c) não estão escritos em lugar algum;
(d) são simplesmente ignorados;
(e) todas as alternativas.

Sabemos que, provavelmente, você, que lê este artigo e é sensível à causa, concorda conosco e sabe a resposta. Mas precisamos expandir. Na verdade, é muito simples: se os valores não são incorporados nos princípios que regem a empresa, não são compromissos. E isso é muito sério! Por isso, os valores inclusivos e de respeito à diversidade devem estar no DNA da empresa. Dizer que existe uma lei, um decreto, ou o que for, dentro de um ambiente corporativo muitas vezes não basta. Precisa estar lá, como uma verdade de fácil acesso, clara não apenas para os profetas, mas manifestada na simplicidade mais pura que permita um Control+C e um Control+V de qualquer pessoa.

Mas que valores são esses? Um bom começo é saber separar o joio do trigo. Assistencialismo e protecionismo, embora pareçam compensar uma defasagem, impedem o desenvolvimento de uma cultura de respeito à diversidade. Os valores devem ser o respeito à diversidade e seus valores agregados, como: incentivo ao protagonismo, à cooperação, à participação coletiva, ao empoderamento de todos, à crença no potencial de cada pessoa e ao combate a qualquer forma de discriminação.

É claro que o estabelecimento dos valores não deve estar apenas no papel. Deve estar nas condutas diárias, no discurso do presidente, na propaganda dos seus produtos e serviços, e no respeito a todas as pessoas que sejam importantes para o negócio. Funcionários, fornecedores, clientes, acionistas ou dirigentes. Tudo isso, sem discriminação de raça, identidade de gênero, orientação sexual, tipo de deficiência, religião e crenças pessoais.

Uma empresa que pretende empregar os conceitos de diversidade, inclusão e responsabilidade social deve estar atenta a isso e estampá-los em sua carta de princípios. Os valores de respeito à diversidade devem estar pregados nas paredes, nos jornais de comunicação interna e, acima de tudo, serem incorporados no regulamento da empresa. As regras devem ser vistas e aprendidas por todos. Já que parece óbvio que o óbvio precisa ser dito, que isso seja feito em prol das boas causas.