Eu, minha filha autista e muito movimento – #100movementdays

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Uma das coisas fantásticas de ser mãe de uma criança com alguma deficiência é que você passa a fazer parte de um grupo de pessoas muito interessantes.

Não precisa estar na mídia social, nem se inscrever em nada. Seu filho recebe o diagnóstico e, a partir daí, você vai ser vista de forma diferente e vai ter uma etiqueta nova dependurada em você: mãe especial.

Entre as coisas boas e não tão boas desta experiência, tem aquele lugar comum em que você vai estar junto com outras mães e elas vão te fazer se sentir muito confortável, por entenderem exatamente o tamanho da sua alegria quando seu filho simplesmente vem até você e te entrega um objeto qualquer ou então quando ele te olha e diz: "oi mãe”.

Em outro contexto, sua reclamação sobre a birra dele vai ser consolada por um: “toda criança faz isso” ou “isso passa”, mas entre as mães que vivem o que você vive, será algo como: “eu sei bem que você já tentou de tudo, não é?” ou “o meu filho fez isso também nesta idade. Vai passar. Acredite”.

Nada como o acolhimento da compreensão! Uma das nossas maiores buscas na vida: aceitação.

Pois foi assim  que eu conheci mães fantásticas que buscam fazer pelos seus filhos tudo o que podem e vão além para buscar o que não podem ou não têm para dar.

Este ano, uma destas mães, uma pessoa incrível que se especializou no autismo dos seus dois filhos e compartilha tudo o que sabe, gratuitamente, em palestras e nas redes sociais, Marie Dorion, criou um desafio para estimular as pessoas a se conectarem às pessoas com autismo por meio de atividades prazeirosas. O desafio se identifica pela hashtag: #100movementdays ou #açãoautismo.

Para quem não sabe, quando você coloca este sinal de cerquilha (#) e uma palavra ou palavras emendadas, quando você clica em cima, vai te levar a todas as imagens ou informações postadas no Twitter, Facebook, Google ou Instagram que têm o mesmo identificador. Você pode, assim, ligar todas as suas postagens ao colocar este rótulo, este indexador chamado hashtag.

Pois bem, estive neste desafio por 100 dias. A proposta era me conectar com minha filha, fazer algo em que eu conseguisse seu engajamento, fosse da forma que fosse, mas que ela estivesse ali comigo, presente, compartilhando.

Parece tão simples, não é? Pois bem, este é o desafio e a beleza que a convivência com o autismo imprimiu à minha vida: nem tudo que é simples é fácil e é justamente aí, nesta difícil busca do simples, que aprendemos mais sobre a natureza humana.

Foram dias em que eu pude colocar à prova tudo o que eu achava que sabia sobre autismo e sobre a minha filha. Eu precisei esperar o tempo dela, incentivar, entender do que ela gosta e do que não gosta, e foi este entendimento que exercitamos juntas e fez a mágica acontecer.

Entender o tempo dela dela exige que eu tenha “olhos de ver”. Exige, também, não impor, não ver a deficiência como algo que tenha que ser corrigido, curado. Acreditar que é possível, um dos pontos mais difíceis, elogiar muito, incentivar e também aceitar. Atrás de cada dificuldade, existe uma competência, mas ela só se mostra a quem acredita e aceita.

E o mais difícil: não se pode aceitar o outro sem antes SE aceitar. É preciso olhar para dentro e ver como são grandes as nossas próprias deficiências, e como a gente se ilude ao achar que somos “normais”.

Você pode aderir ao movimento, mesmo que não tenha um filho com deficiência. Te garanto que achar atividade e compartilhar de verdade alguns momentos por dia com alguém será uma experiência única e uma grande viagem de autodescoberta, que vai valer mais do que cursos que pagamos ou horas de terapias. Você pode tentar, apenas tentar, eu te convido com desejo intenso de que pelo menos pense a respeito e se desafie!

Se quiser ver as fotos e vídeos dessa nossa aventura, eis o link: https://www.facebook.com/fausta.cris/media_set?set=a.896372120429649&type=1&l=e5bfca5101