Quando uma pessoa com deficiência está sozinha

Como uma pessoa com deficiência, que é dependente de outras, sobrevive se não tiver familiares e/ou condições financeiras?

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Um assunto que sempre me pego pensando é: como uma pessoa com deficiência, que é dependente de outras, sobrevive se não tiver familiares e/ou condições financeiras?

Penso nisso após o susto que passei quando minha mãe faleceu. Ela era quem cuidava de mim. Como não tenho pai e sou dependente de alguém para me auxiliar em algumas atividades importantes do dia a dia (não tenho movimento das mãos e das pernas), como fazer sonda, tomar banho, colocar comida no prato, essas necessidades do dia a dia. A opção sugerida por um médico da UBS próxima à minha casa foi morar em um abrigo ou uma casa de repouso para ficar com idosos.

Graças a uma estrutura deixada por minha mãe, um pouco também por mim e com a ajuda dos meus amigos, pude continuar na minha casa com uma estrutura razoável, suficiente pra continuar me virando.

Por mais estrutura que tenha um abrigo, seria terrível ficar lá (devido à dinâmica que esses espaços costumam ter, difícil de ficar entrando e saindo). Muitas pessoas com deficiência, mesmo com auxílio de uma pessoa, querem produzir, realizar atividades normais e ainda ter qualidade de vida.

Na época, com 35 anos. Eu me vi cheio de planos e vontade de viver, mas com a possibilidade desesperadora de ficar em um abrigo, sem vida social e oportunidades do lado de fora. Este é um assunto que insisto bastante para ser debatido. É um cenário muito incômodo, próximo de muitos e preocupante, pois sei que muitos pensam igual ao médico da UBS que conversei.

Sei que o governo estuda um projeto de lei para custear o cuidador nesses casos em que a pessoa com deficiência não tem condições financeiras e dependente de auxílio para atividades básicas e essenciais do dia. Um outro projeto estuda um auxílio financeiro para quem não consegue custear totalmente o salário de um cuidador. Lembrando que ainda estão avaliando as possibilidades e condições, mas sem previsão de quando aprovam. E vale lembrar que cuidador de pessoas com deficiência não é uma profissão regulamentada. Isso seria ótimo, pois assim o governo seria obrigado a regulamentar.

Até os idosos que querem mais qualidade de vida, vaidade e liberdade, já criaram pelo mundo algumas comunidades coletivas, condomínios preparados e estruturados pra terem mais qualidade de vida e liberdade. Dessa forma, até as pessoas com deficiência que têm uma certa autonomia, mas que sabem que, com envelhecimento podem depender de auxilio, estão pensando como farão. Essa ideia de condomínios adaptados e a possibilidade de dividir os custos de um cuidador, entre outras coisas, também é uma saída.

Lembrando que pessoas que precisam de um cuidador e recebem do INSS têm direito a um adicional de 25% sobre o valor que cada um ganha mensalmente. Porém, como a maioria das pessoas recebe pouco, além de ter outros gastos devido à deficiência, esse adicional não custeia quase nada do salário de um cuidador.

Deixo aqui um pedido: vamos todos pensar em como solucionar essa situação?