Realidade e esperança

Desde que sofri o acidente e fiquei ‘’tetra’’, fico sabendo de pesquisas para a cura de sequelas da lesão medular, sequelas tais como a perda dos movimentos da perna, precisando assim de uma cadeira de rodas para locomover.

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Desde que sofri o acidente e fiquei ‘’tetra’’, fico sabendo de pesquisas para a cura de sequelas da lesão medular, sequelas tais como a perda dos movimentos da perna, precisando assim de uma cadeira de rodas para locomover. Aproveito para lembrar que ninguém está preso em uma cadeira de rodas – é ela que ajuda a pessoa a ir onde quer. Dentro dessa lógica, a cadeira liberta.

Lembro que, meses após sair do hospital em 2004, assisti uma matéria sobre pesquisas de célula tronco, feitas pela equipe do doutor Tarcisio Barros, em São Paulo. Fui consultá-lo e ele mesmo deixou claro que se tratava apenas de uma pesquisa, não tinha prazo de quando seria realizada em seres humanos novamente e nem quando teríamos a solução.

Nesses 11 anos como usuário de cadeira de rodas, acompanho algumas linhas de pesquisas de células tronco, medicamentos, sistemas de estimulação elétrica e etc. Em relação às pesquisas de células-tronco, existem diversos tipos de células sendo testadas e dando resultados promissores, principalmente em animais.

Já em seres humanos, ainda não tivemos um caso de 100% de cura, mas vem demonstrando avanços – porém sem uma perspectiva de quando será usada como tratamento. Existem clínicas na Alemanha, Panamá e Portugal que oferecem o tratamento com custo acima de cem mil reais, mas não garantem resultado algum. O tratamento com alguns medicamentos é bem menos comentado. Cheguei a tomar alguns que poderiam ajudar nas enervações que saem da medula, indicados pelo doutor Tarcisio (núcleo c.m.p. e o 4 aminopiridine), mas não percebi a ajuda deles no ganho de movimento ou sensibilidade. Ressalto aqui que cada caso é um caso – em algumas pessoas pode ter dado resultado.

Há pouco tempo, uma equipe americana financiada pelo National Institutes of Healths anunciou o composto químico conhecido como ‘’peptídio sigma intracelular’’sendo algo muito promissor, que em cerca de três anos pode se tornar um tratamento que vai agir direto na medula.

Os aparelhos implantados com sistemas de eletro estimulação pra gerar movimentos também vêm recebendo destaques. O mais recente foi o implante de um neuroestimulador que foi colocado em um rapaz para gerar o controle da bexiga e do intestino e, além disso, conseguiu também o ganho de movimentos nas pernas. Este implante foi realizado pela equipe do doutor Nucélio Ramos da Escola Paulista. O doutor Nucélio ressaltou que o movimento das pernas não estava nos planos, mas que gostou do resultado e iriam continuar a pesquisa.

Assumo que, ao ver essas pesquisas e outras que estão sendo realizadas no mundo para cura da lesão medular e todas as outras patologias e fico esperançoso. Vamos continuar torcendo pela cura, mas é preciso de uma dose de realidade também. São pesquisas e não tratamentos, são promessas ainda sem resultados certos de cura e sem prazos de quando serão realmente cura. Conscientes disso, devemos seguir e aproveitar a vida da melhor forma possível.