Ser mãe, às vezes, é uma tarefa árdua!

A coluna desse mês não foi escrita por mim. Ela é o desabafo de uma mãe. O nome dela é Andreia, que é fonoaudióloga, mãe do Pedro e da Marina, e minha amiga. Marina tem Síndrome de Down.

Compartilhe:

A coluna desse mês não foi escrita por mim. Ela é o desabafo de uma mãe. O nome dela é Andreia, que é fonoaudióloga, mãe do Pedro e da Marina, e minha amiga. Marina tem Síndrome de Down e a Andreia me deu a notícia durante a festa de aniversário do Gabi, filho da Érica, uma outra amiga da turma.

Nessa época, a Déia disse: “Sei se dou conta não, amiga.” E quer saber? Ela não só deu conta como ainda ajuda outras mães a darem conta. Ela tirou de letra, mesmo com angústias e dúvidas. Para Marina, o futuro aparece um pouco mais divertido e colorido. Existe recurso financeiro, tão necessário para o acompanhamento de crianças com deficiência.

Infelizmente, para muitas outras “Marinas e Andreias”, o futuro é um pouco mais cinza. A oferta de terapia de estimulação e escolas inclusivas (que, de fato, sejam inclusivas) no setor público é restrita, as dificuldades de locomoção e as barreiras atitudinais dificultam ainda mais o atendimento a essas crianças.

Contei a história da Marina aqui, na minha coluna, que foi publicada em 30 de janeiro de 2013.

Quem olha pelos pais delas? Que tipo de acolhimento eles têm? Aqui vai o desabafo da Andreia.

Ser mãe, às vezes, é uma tarefa árdua!

“Ser mãe, às vezes, é uma tarefa árdua!”. Ouvi isso inúmeras vezes ao longo da minha trajetória profissional e pessoal.

Em 2008, ofertei ao mundo a minha terceira vida. Dei luz à pequena Marina. Careca, chorona e muito agitada. Foi assim que meu querido ginecologista, Doutor Miele, descreveu a mocinha, e ainda, com ela em seus braços, acrescentou: “Pode guardar os laços, as fivelas e os apetrechos de cabelo que você comprou!”

Sim! Ele nem mencionou o que vinha pela frente. Marina tem Síndrome de Down!

Fui preparada para este momento sublime com todo amor e cuidado. Eu me deparei com esse diagnóstico na décima primeira semana de gestação.

Poderia ter desistido desta vida tão linda, mas fui em frente! Sem explicação, um amor intenso crescia!!! Saí sozinha da maternidade. Foi difícil e doído.

Depois de oito dias, saí por aquela mesma porta com meu segundo amor nos braços: orgulhosa e muito feliz! Olhares e mais olhares, eu não me importava…era MINHA! MINHA FILHA!!!
Começaram as terapias, as estimulações que eu tanto conhecia e muito bem! Longo caminho que percorro até hoje!

Nesta semana, ouvi de algumas colegas sobre mães de filhos com deficiência, da desistência dessas mães sobre os acompanhamentos terapêuticos, esportivos e educacionais. Ouvi críticas e mais críticas!!

“Como assim desistem e não levam para terapias?” Sim! Cansadas da luta! E sem perspectiva de melhoria e mudança, essas mães desistem! Foi aí então que eu, como fonoaudióloga e mãe, me questionei. O que acontece? Onde erramos com elas?

Nossas políticas educacionais e sociais não inserem essas pessoas em escolas e programas? A resposta é….NÃO! Pouco fazemos por eles na adolescência e na vida adulta! E elas, as mães que se encontram nesse – que talvez seja o meu futuro – estão cansadas e desiludidas.

Então, hoje eu reflito. É preciso fazer algo. Ou melhor, nós precisamos!

Não quero ver nossos filhos perambulando pelas ruas sem contribuir com este mundo. Vejam! Eles são capazes de um MUNDO de coisas!!
Basta ACREDITAR! Oportunidades já!

O mundo precisa deles! E não apenas eles de nós!

Andréa C.L. Ribeiro é fonoaudióloga, mãe de Pedro, de 13 anos, e Marina, 8 anos.

  • Francisco Wellington

    Olá, Érika Longone! Para o surdo, em processo de alfabetização, especialmente quanto ao português como L2 na forma escrita, é mais fácil escrever um texto por meio de glosas, que derivam da sua própria língua, a sinalizada. Ocorre que não sei quais os limites da aplicabilidade das glosas como representação escrita das ideias do surdo, Gostaria de saber se ele tem de recorrer ao português para escrever textos mais longos, ou se as glosas lhe são suficientes nesse sentido. Existe uma literatura de glosas? Espero ter sido claro, obrigado!